SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SÁBADO, 20 DE AGOSTO DE 2022
EDITORIAL

Para não repetir erros

A velocidade de transmissão da varíola dos macacos é menor quando comparada à do coronavírus, porém preocupa especialistas

Publicado em 03/08/2022 às 23:56Atualizado em 04/08/2022 às 00:07

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EDITORIAL

Para não repetir erros

A velocidade de transmissão da varíola dos macacos é menor quando comparada à do coronavírus, porém preocupa especialistas

Publicado em 03/08/2022 às 23:56Atualizado em 04/08/2022 às 00:07

“As lesões na pele, que caracterizam a varíola dos macacos, aparecem três ou quatro dias após a contaminação. É o tempo necessário para que o vírus se alastre por uma quantidade indeterminada de pessoas. O governo deveria agir com urgência para alertar a população.” O aviso é do infectologista Renato Ferneda de Souza, em entrevista ao Diário, preocupado com a falta de ações das autoridades de saúde em relação à transmissão da varíola dos macacos.

O primeiro caso da doença registrado no Brasil foi em 9 de junho. Com base no número atual de notificações, cerca de 1,5 mil, é possível dizer que 30 casos foram registrados em média por dia desde então. A velocidade de transmissão do vírus é menor quando comparada à do coronavírus, porém preocupa especialistas.

A varíola dos macacos já é considerada emergência de saúde global pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ganhou esse nome porque foi identificada pela primeira vez em macacos, mas não são eles que a transmitem – a OMS acredita que os hospedeiros sejam roedores. O primeiro caso em humanos foi registrado em 1970, na República Democrática do Congo. Desde então, tornou-se endêmica no continente africano. A preocupação atualmente se dá pelos registros em partes diferentes do mundo.

O vírus Monkeypox pertence à mesma família da varíola humana, que era mais letal e foi erradicada em 1980 com o auxílio da vacinação. Os sintomas
incluem lesões na pele, febre, dor de cabeça e cansaço, entre outros. E as formas de transmissão são contatos próximos com alguém infectado ou com objetos utilizados por quem tem a doença.

A primeira e única morte registrada no Brasil até esta quarta-feira, 3, foi em 29 de julho. A vítima era um homem de 41 anos, de Uberlândia (MG). Em Rio Preto, foram confirmados dois casos em homens - um de 33 e outro de 34 anos. Nenhum deles saiu do País, o que comprova a transmissão comunitária do vírus no Brasil. A Secretaria Municipal de Saúde, inclusive, investiga a hipótese de que um deles tenha se contaminado em Rio Preto.

Estudos desde o início do surto da varíola dos macacos apontam que a maior parte das infecções é em homens que têm relações sexuais homoafetivas. Em jovens, sem problemas de saúde, a doença tem efeitos leves. A preocupação é que a transmissão chegue ao público mais vulnerável, como pessoas com comorbidades, idosos e crianças.

Com alertas da OMS e de especialistas, não se deve subestimar os riscos que a doença representa. A sociedade e as autoridades políticas e de saúde pública não podem cometer os mesmos erros do período em que o coronavírus ainda era uma doença desconhecida e avançava por países distantes. Mesmo que não seja tão letal quanto a Covid, a varíola dos macacos tem de ser encarada com seriedade para que a população não sofra as consequências.

 
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