SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 11 DE AGOSTO DE 2022
EDITORIAL

Guerra contra as gangues

Força-tarefa contra a guerra das gangues não vai se concentrar apenas no combate à criminalidade, mas também no resgate de adolescentes

Publicado em 29/06/2022 às 22:28Atualizado em 29/06/2022 às 23:09

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EDITORIAL

Guerra contra as gangues

Força-tarefa contra a guerra das gangues não vai se concentrar apenas no combate à criminalidade, mas também no resgate de adolescentes

Publicado em 29/06/2022 às 22:28Atualizado em 29/06/2022 às 23:09

Uma força-tarefa envolvendo a Vara da Infância e da Juventude, as polícias Militar e Civil, a Prefeitura, diversas entidades e até igrejas tenta colocar fim a um dos capítulos mais violentos da história recente de Rio Preto: a guerra das gangues.

Não é exagero dizer que essa disputa, que teve início há alguns anos por conta de rivalidade e sempre movida pelo tráfico de drogas, é um verdadeiro banho de sangue. Levantamento feito pelo Diário em janeiro deste ano mostrou que, desde 2020, foram registrados ao menos 45 crimes contra a vida praticados por grupos rivais dos bairros Santo Antônio e João Paulo 2º, compostos por adolescentes e jovens adultos. Praticamente um homicídio ou uma tentativa de assassinato a cada duas semanas.

A motivação para estes crimes em cadeia é a vingança de uma gangue contra a outra. Em geral, os crimes são cometidos por duplas em motocicletas, que surpreendem os rivais à bala nas ruas. Neste círculo de violência, pessoas que nada têm a ver com essa guerra pagam com a própria vida, seja porque eram conhecidos dos criminosos ou porque estavam na hora errada e no lugar errado.

A primeira ação da força-tarefa contra as gangues ocorreu nesta terça-feira, 28, no bairro Parque da Cidadania, e apreendeu um adolescente de 15 anos com arma e drogas. As operações vão se concentrar em bairros com maior índice de violência juvenil, que possuem pontos de tráfico e também baixos índices econômicos. Foram dois meses de articulações envolvendo todos os atores desta força-tarefa, liderada pelo juiz Evandro Pelarin e pelo promotor de Justiça André Luis de Sousa.

O foco não é só o combate à criminalidade pura e simples, mas é também uma missão de resgate. Por isso as abordagens aos jovens serão realizadas para combater a evasão escolar e, com a ajuda da Secretaria de Assistência Social, de entidades assistenciais e de igrejas, oferecer oportunidades de inclusão no mercado de trabalho, auxiliar adolescentes em situação de vulnerabilidade social e garantir tratamento médico para os dependentes químicos.

É importante destacar que boa parte dos assassinatos ocorridos desde 2020 foi esclarecida pela Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic), inclusive com a apreensão dos autores. Ainda assim, a onda de crimes não deu trégua.

Por isso é tão necessária uma ação conjunta em todas as pontas. São, claro, essenciais ações preventivas e ostensivas da Polícia Militar e investigativas da Polícia Civil. Mas é ainda mais vital atuar antes que os homicídios sejam cometidos. A guerra contra as gangues não é um problema a ser resolvido exclusivamente pelas forças de segurança pública: é preciso que toda a sociedade atue para afastar adolescentes e jovens deste funesto mundo do tráfico e da criminalidade. A força-tarefa é prova de que essa batalha não será vencida apenas com armas nas mãos.

 
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