SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 19 DE MAIO DE 2022
EDITORIAL

Estragos da pandemia

O abismo educacional só aumenta com o passar das séries, tal qual uma casa construída sem um alicerce seguro

Publicado em 18/01/2022 às 00:33Atualizado em 18/01/2022 às 01:55

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EDITORIAL

Estragos da pandemia

O abismo educacional só aumenta com o passar das séries, tal qual uma casa construída sem um alicerce seguro

Publicado em 18/01/2022 às 00:33Atualizado em 18/01/2022 às 01:55

Era algo até certo ponto esperado, devido às deficiências do ensino remoto, mas o cenário da educação em Rio Preto é pior do que se imaginava anteriormente.

Avaliação Diagnóstica de Rede (ADR) realizada pela Secretaria de Educação de Rio Preto revela as fragilidades do plano de aprendizado improvisado nos últimos dois anos, em decorrência da pandemia. Foi analisado o desempenho de 16.146 alunos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental (74% do total) entre os meses de agosto e setembro do ano passado. O estudo teve como objetivo avaliar o nível de aprendizagem dos estudantes da rede municipal em Língua Portuguesa e Matemática. Os dados assustam.

Entre os principais problemas verificados estão dificuldades dos estudantes em localizar informações no texto, de compreender figuras de linguagem, de analisar gráficos e, um dos mais graves, problemas gravíssimos de escrita básica.

É o que relatam mães ouvidas pela reportagem do Diário. A atendente Samantha Karina afirma que seu filho, de 10 anos, só consegue escrever o próprio nome, nada mais. Com 9 anos, o filho da operadora de caixa Vanuci Bortolotto só usa letras de forma e tem muita dificuldade em leitura. Segundo o relatório da Educação, 20% dos alunos de 1º ano – a maioria deles com 6 anos – da rede municipal não sabem escrever o próprio nome, o que seria o básico do aprendizado.

Ainda que a Secretaria de Educação tenha considerado os resultados “satisfatórios” diante da situação excepcional, é fato que o nível está muito aquém do mínimo a se esperar. E, pior que isso, o abismo educacional só aumenta com o passar das séries. O ato de apender é cumulativo, não isolado. É só pensar a educação como uma casa: sem o alicerce seguro, todo o resto será capenga e com o risco de ruir a qualquer momento.

Essa situação fica ainda mais clara quando se analisa o desempenho em Matemática. A média de acerto entre os estudantes do 6º ao 8º ano ficou entre 50% e 60%. Já entre os alunos do 9º ano, esse percentual cai para 29%.

A diferença entre os alunos das escolas públicas e particulares, que já era enorme, só aumentou nos últimos dois anos. Além da dificuldade da rede municipal em disponibilizar de forma satisfatória as aulas remotas, as crianças só retornaram às aulas presenciais no segundo semestre de 2021, enquanto os alunos da rede privada iniciaram o ano passado dentro da sala de aula. Ou seja, no ensino particular foram seis meses a mais de aulas presenciais em relação à educação pública.

Muito oportuna a avaliação feita pela Secretaria de Educação em Rio Preto. O que importa a partir de agora, com base nesses resultados, é traçar planos e estratégias educacionais para recuperar o conteúdo perdido. É um longo e essencial caminho a ser percorrido.

 
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