SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEXTA-FEIRA, 03 DE DEZEMBRO DE 2021
EDITORIAL

Câmara da intolerância

A mesma Câmara que rejeitou a Parada do Orgulho LGBTQIA+ já incluiu no calendário do município o “Dia do Beijo” e o “Dia do Político”

Publicado em 16/10/2021 às 00:22Atualizado em 16/10/2021 às 00:49

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EDITORIAL

Câmara da intolerância

A mesma Câmara que rejeitou a Parada do Orgulho LGBTQIA+ já incluiu no calendário do município o “Dia do Beijo” e o “Dia do Político”

Publicado em 16/10/2021 às 00:22Atualizado em 16/10/2021 às 00:49

A Câmara de Rio Preto tem um grave problema em aceitar a diversidade. Por 8 votos contrários e apenas 6 favoráveis, os vereadores rejeitaram na quinta-feira, 14, o projeto de lei que previa a inclusão da Parada do Orgulho LGBTQIA+ no calendário oficial do município. A proposta foi apresentada em julho deste ano pelo vereador Elso Drigo Filho (Psol), suplente de João Paulo Rillo (Psol).

Votaram a favor da data, além de Rillo, Celso Peixão (MDB), Cláudia de Giuli (MDB), Jorge Menezes (PSD), Renato Pupo (PSDB) e Robson Ricci (Republicanos). Contra a proposta se posicionaram Anderson Branco (PL), Bruno Moura (PSDB), Jean Charles Serbetto (MDB), Júlio Donizete (PSD), Karina Caroline (Republicanos), Odélio Chaves (PP), Paulo Pauléra (PP) e Rossini Diniz (PL). Bruno Marinho (Patriota) e Francisco Júnior (DEM) deixaram o plenário na hora da votação.

É a terceira vez, somente neste ano, que o Legislativo rio-pretense deixa transparecer a intolerância em todo seu esplendor. Primeiro foi quando rejeitaram, sob o argumento esdrúxulo de que era inconstitucional, a criação do Conselho Municipal da Diversidade Sexual e de Gênero. Depois, o Conselho de Ética absolveu Anderson Branco, que postou nas redes sociais uma imagem homofóbica relacionando a população LGBTQIA+ a algo diabólico que atenta contra a “família tradicional brasileira”.

Curiosamente, ao contrário do que ocorreu na rejeição do conselho municipal, nenhum vereador que se posicionou contra a inclusão da Parada do Orgulho LGBTQIA+ no calendário oficial foi à tribuna defender o seu voto. Foi um posicionamento envergonhado, que no fim das contas apenas espelha a mácula de ostentar um comportamento discriminatório.

A mesma Câmara que não quis reconhecer a legitimidade da Parada do Orgulho LGBTQIA+ já incluiu no calendário oficial, por exemplo, o “Dia do Beijo”, a ser comemorado todo dia 13 de abril. Os vereadores também gostam de se auto-homenagear: são comemorados na cidade, com direito a data especial e tudo mais, o “Dia de Oração pelas Autoridades de São José do Rio Preto” e o “Dia Municipal do Político”.

Infelizmente, a rejeição da Parada do Orgulho LGBTQIA+ não surpreende. A atual legislatura já deu provas suficientes do quanto é preconceituosa. Mas não tem problema: esses vereadores, mais cedo ou mais tarde, vão passar. Já a luta pela igualdade e pelo respeito independentemente da orientação sexual só irá se fortalecer. Gostem ou não os digníssimos parlamentares.

 
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