SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 07 DE JULHO DE 2022
EDITORIAL

Auxílio contra abusos

Professores têm um papel vital para ajudar a identificar sinais de abuso sexual contra crianças e adolescentes

Publicado em 18/05/2022 às 23:23Atualizado em 18/05/2022 às 23:31

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EDITORIAL

Auxílio contra abusos

Professores têm um papel vital para ajudar a identificar sinais de abuso sexual contra crianças e adolescentes

Publicado em 18/05/2022 às 23:23Atualizado em 18/05/2022 às 23:31

De janeiro a abril deste ano, Rio Preto registrou 290 notificações de violência contra crianças, segundo dados da Secretaria de Saúde. Isso significa que, a cada dois dias, cinco casos chegam ao conhecimento das autoridades. E o número de vítimas pode ser ainda maior, já que a própria polícia acredita na subnotificação de ocorrências devido às dificuldades para identificar os abusos.

Nesse sentido, cresce a importância de ações como as mostradas na edição do Diário desta quarta-feira, 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. São duas iniciativas, uma municipal e outra do Instituto Paulista dos Magistrados (Ipam), que visam treinar professores para que identifiquem os sinais que vítimas de abuso emitem e para que saibam como proceder nessas situações.

Alguns dos alertas que servem para indicar que uma criança é vítima de abuso são mudanças repentinas de comportamento, como alteração de humor, agressividade, vergonha excessiva, medo e pânico. Também entram na lista comportamentos sexuais precoces, com brincadeiras, palavras ou desenhos que envolvam as partes íntimas.

Na rede municipal, estão sendo realizadas ações em escolas para orientar os professores. Já o Ipam escolheu duas instituições de ensino de Rio Preto para receberem um projeto pioneiro. São elas a Professor Oscar Salgado Bueno, na Vila Diniz, e a Pio X, na Santa Cruz. O conteúdo foi elaborado por uma equipe técnica, composta por juízes, psicólogos, educadores e assistentes sociais, que lidam com violência doméstica. Com base na experiência em Rio Preto, o curso poderá ser levado a unidades em todo o Estado para facilitar a identificação de abuso.

Depois dos familiares que convivem na mesma casa, os professores são as pessoas que mais têm contato com as crianças. É essencial que tenham a sensibilidade para identificar casos suspeitos de abuso, afinal grande parte das vítimas, pela pouca idade, não tem condições de compreender o que está ocorrendo.

“A escola é um espaço fundamental de proteção, o lugar onde a criança passa mais tempo depois da própria casa. Muitas denúncias vêm da escola, justamente porque a criança vulnerável estabelece um vínculo de confiança com a professora”, diz o juiz da Vara da Infância e da Juventude de Rio Preto, Evandro Pelarin.

O papel dos professores no combate à violência contra as crianças é fundamental, pois grande parte dos abusos ocorre dentro da própria casa da vítima, cometidos por familiares. Saber como identificar e como lidar com a situação faz toda a diferença para interromper o ciclo de violência e punir os autores de abusos.

 
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