SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEXTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2021
EDITORIAL

A nova favela

A urbanização da favela da Vila Itália só será concretizada devido ao apoio essencial da iniciativa privada

Publicado em 21/07/2021 às 23:22Atualizado há 21/07/2021 às 23:26

Seção exclusiva para assinantes. Assine para ter acesso ilimitado.

Já sou cadastrado.

Quero ter acesso ilimitado.

EDITORIAL

A nova favela

A urbanização da favela da Vila Itália só será concretizada devido ao apoio essencial da iniciativa privada

Publicado em 21/07/2021 às 23:22Atualizado há 21/07/2021 às 23:26

O anúncio feito nesta terça-feira, 20, de que R$ 15 milhões já foram garantidos para o processo de reurbanização da favela da Vila Itália mostra a iniciativa privada atuando onde o poder público falhou.

Foram sete anos de negligência. O núcleo da favela surgiu em 2014, ainda no governo do ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB). Os primeiros barracos foram construídos em uma área particular e a Prefeitura optou deliberadamente por fazer de conta que nada tinha a ver com ela, ignorando que aquele era um problema social, urbanístico e ambiental. A favela cresceu, ocupou um terreno do município e só aí o poder público resolveu agir – judicialmente, aliás, sem qualquer plano para tentar efetivamente resolver o problema das mais de 200 famílias que viviam ali, em situação vulnerável.

A questão se arrastou desde então na Justiça e só teve uma virada com a entrada em cena do Instituto Gerando Falcões, uma ONG surgida em 2013 que atua para modificar a realidade de periferias e favelas por todo País. Um estudo realizado pelo Grupo Tellus foi anexado ao processo de reintegração de posse movido pelo município na Justiça, apontando três possíveis soluções para a favela: a urbanização e regularização do local, a construção de um novo assentamento ou a remoção das famílias em troca de um aluguel social. O primeiro modelo acabou sendo o escolhido.

Para que saia do papel, são necessários R$ 26,2 milhões, que incluem a regularização, a construção de toda a infraestrutura – pavimentação, rede de saneamento, energia elétrica etc – e a construção de 240 casas. Deste valor, R$ 7 milhões deverão ser bancados pelo poder público. Outros R$ 15 milhões já foram garantidos pelo Gerando Falcões, por meio de parcerias e ajuda da iniciativa privada. A previsão é que a urbanização completa da favela seja concluída em dois anos e meio, com a construção de praças e espaços de convivência, cooperativa de reciclagem, quadras esportivas, creche, escola e posto de saúde. “É a construção de um programa técnico de reconstrução para urbanização social e com equipamentos sociais. Essa é a maneira de fazer as famílias decolarem socialmente”, afirma o fundador e CEO da Gerando Falcões, Edu Lyra.

A urbanização da favela só será concretizada devido ao apoio da iniciativa privada. Sem esse auxílio, só dois cenários eram possíveis: a reintegração de posse do terreno, com o despejo de 240 famílias do local, ou a manutenção da vulnerabilidade social. Felizmente, agora, tudo caminha para um final feliz.

 
Copyright © - 2021 - Grupo Diário da Região.É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Desenvolvido por
Distribuido por