SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 06 DE JULHO DE 2022
CARTAS DO LEITOR

Menos peso

Publicado em 23/06/2022 às 22:32Atualizado em 23/06/2022 às 23:05

Na era digital o dinheiro está se transformando também em criptomoedas, sendo otimista isso pode tornar nosso sistema tributário mais justo e o imposto debitado ao consumo ser proporcional a renda de cada um - ou você acha que o milionário, hoje, paga o mesmo imposto pelo litro de leite que a dona de casa aposentada?

Em nosso País, quem tem mais poderes é exigido menos. E a verdade é que o sistema tributário que aplica mais justiça fiscal já existe em diversos países e nem precisaríamos ter devaneios com novas tecnologias. Inclusive nos EUA, um país capitalista que Bolsonaro bateu continência à sua bandeira... mas ter um plano para tornar a vida da maioria das pessoas menos pesada de correntes foi e é exigir muito do Capitão do Mato, que possui fetiche por tortura.

Ariel Estrella Maia, Rio Preto

Janela da alma

Não entendia a expressão “Janela da Alma” até uns anos atrás, quando todas as manhãs e noites comecei a abrir a janela do meu quarto e observar o amanhecer e o anoitecer. Contemplo a rua, as arvores, os prédios, as casas, os carros, os pássaros, as pessoas e muito mais. E fico pensando, quem será que está passando? Quem está dormindo? O que será que está acontecendo naquela casa que a luz está acesa? Onde será que aquela pessoa que está andando vai? Onde aquele carro ou caminhão vão naquele momento?

E assim eu passo alguns minutos me distraindo, vendo e soltando a minha imaginação e meus pensamentos que alcançam coisas sem limites.

Ao despedir daqueles momentos mágicos, eu agradeço a Deus de poder ver, sentir e imaginar o que eu imagino e fico pedindo à Ele que tudo que eu vejo tenha um final feliz. Esse ritual maravilhoso me faz entender o que é a “Janela da Alma”.

Cidinha Cury Antonio, Rio Preto

Trânsito

Li com interesse a carta da leitora, sra. Ana Paula Amorim, publicada na edição desta quarta-feira, 22, reclamando dos motoristas de Rio Preto. Disse também , que durante 10 anos dirigiu no caótico trânsito de São Paulo, e nada aconteceu. Aqui já bateram no carro dela, parado, duas vezes.

O seu depoimento me fez lembrar de algumas situações curiosas. Morando durante anos fora de Rio Preto, e até do estado de SP, pude ouvir comentários sempre elogiosos a Rio Preto. Sobretudo, quando nascia o conceito "qualidade de vida". Era excelente aqui. Mera cortesia? Não. Porque ao lado desses louvores havia uma exceção, sempre repetida: o trânsito e os seus motoristas. Aí a censura era ferrenha. E alguns adjetivos duros.

Voltando a Rio Preto, de imediato pude observar uma característica, em geral, dos motoristas locais. Irritava-me, mas com o tempo, e conselhos de velhos moradores, não me exasperei mais. Refiro-me à ojeriza, quase doentia, por exemplo, de não darem sinal de seta. Obrigaram-me, à força, a adaptar-me à condição de uma espécie de adivinho das vontades imprevisíveis dos motoristas. O diabo é que não é apenas em Rio Preto, mas na região é a mesma coisa. Para ser justo, abro uma exceção. Pode ter sido coincidência durante esses anos nas diversas vezes que estive na cidade. Mas deu pra perceber que, em Catanduva, há um nível "civilizatório" dos motoristas bem razoável. Impressão de quem não vive la? A água é diferente?

À leitora, sra. Ana Paula, um conselho fácil: mais água com açúcar.

Ou esperança de uma mudança impossível...

Luiz Melo, Rio Preto

Cargos comissionados

Aqui e ali ouvimos falar de cargos comissionados. Mas realmente sabemos o que são? De forma objetiva, são cargos ocupados transitoriamente por empregados públicos nomeados por autoridade competente, seja ela um governador, prefeito, ou até mesmo um deputado. As funções atribuídas geralmente são de chefia, gestão, administração ou assessoramento. Agora, há um grande problema em relação a este assunto: os cargos comissionados burlam o legítimo sistema de concursos públicos.

Os concursos públicos são fundamentais para a contratação de profissionais qualificados. Muitas vezes, quem ocupa os cargos de comissão são, com todo o respeito, apadrinhados políticos. Enquanto um comissionado desfruta da mordomia e do salário, um profissional mais qualificado para o serviço fica para escanteio.

As pessoas não dão a importância devida para os concursos públicos. E o que o vemos é a criação de cada vez mais cargos comissionados.

Recente exemplo foi a aprovação de proposta que permite a criação de centenas de cargos comissionados na Assembleia Legislativa do Paraná, Ministério Público e Tribunal de Justiça também do PR . Ao todo, foram criados 542 cargos. Somente no MP, a medida prevê a criação de 261 cargos, com um modesto custo anual de mais de R$ 30 milhões a partir de 2023. Ainda em 2022, o impacto será de R$ 18 milhões.

Na Assembleia Legislativa do Paraná, foram 121, com previsão de custo de R$ 31 milhões a partir de 2023. Mas, ainda em 2022, o impacto estimado será de R$ 22,6 milhões, ainda maior que no Ministério Público, com o dobro de cargos. No TJ-PR, foram propostos 160 cargos.

O presidente da Assembleia paranaense alega que a criação é necessária e oportuna, e que os valores apontados já estão inseridos no orçamento. Mas me pergunto se de fato é necessária a criação de tantos cargos assim. Veja bem: 261 somente para o Ministério Público. São profissionais que não terão de enfrentar um concurso público e comprovar sua aptidão para os cargos. Como ter a certeza de que são, de fato, qualificados para o serviço? Isso é muito sério.

Cargos técnicos não podem ser comissionados. Portanto não cumprem os princípios constitucionais, argumento usado pelo STF. Isso de fato não pode acontecer e deve ser seguido por todos os estados.

Antonio Tuccilio - presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

 
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