SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 06 DE JULHO DE 2022
ARTIGO

Violência contra mulher

Inadmissível que continuem permitindo de forma reincidente a violência estampada contra mulheres

Lana Braga
Publicado em 23/06/2022 às 22:37Atualizado em 23/06/2022 às 23:03
Lana Braga (Reprodução)

Lana Braga (Reprodução)

Essa semana mais um episódio de violência nos chocou, dessa vez na cidade Registro um procurador agrediu brutalmente uma procuradora " colega de trabalho" ao saber que foi instaurado um processo disciplinar contra ele , exatamente por comportamento abusivo dentro da Procuradoria Geral de Registro.

A violência contra a mulher está em todos os lugares, o procurador foi afastado, e foi preso, são essas punições severas, como a exoneração do cargo, cassação da OAB, e penas mais altas, formas concretas, para que mulheres se sintam seguras e respeitadas, e para que cenas como essa não se repitam, é inadmissível que continuem permitindo de forma reincidente a violência estampada contra mulheres, não podemos apenas assistir de camarote essa violência gratuita e covarde.

"Um levantamento produzido pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva, com apoio da Laudes Foundation revela que 76% das mulheres já foram vítimas de violência no ambiente de trabalho,dizem já ter vivenciado alguma situação de humilhação ou violência (gritos, xingamentos ou qualquer tipo de discriminação).

36% das trabalhadoras dizem já ter sofrido preconceito ou abuso por serem mulheres; porém, quando apresentadas a diversas situações, 11% sofreram agressões físicas.

Em apenas 28% dos casos relatados, a vítima soube que o agressor sofreu alguma consequência. Em 39%, a vítima não soube o que houve com o agressor e em 36% nada aconteceu e ele não foi punido.

Já com relação à vítima, a maior parte tratou o caso no âmbito individual: confrontando pessoalmente o agressor ou evitando contato, contando apenas para amigos e familiares ou pedindo demissão; 11% não formalizaram a denúncia por terem sido assediadas pelo superior e 10% por terem visto o mesmo ocorrer outras vezes, sem solução; e 3 em cada 10 consideraram que o episódio não havia sido grave o suficiente para ser levado adiante.

Dos casos que foram denunciados, em apenas 34% a empresa ouviu o relato da vítima e puniu o agressor; em 12% a empresa sequer ouviu a vítima.

Um quarto das mulheres que foram assediadas passou a desconfiar das pessoas com quem trabalham e/ou não tiveram mais vontade de ir trabalhar; 21% saíram da empresa."

Fico pensando qual seria o desfecho do caso da agressão que a procuradora da cidade de Registro sofreu se não tivesse tido essa repercussão nas redes sociais. Será que ele teria sido preso? Os números na pesquisa são claros e nos mostram uma realidade de milhares de mulheres que sofrem discriminação e violência seus ambientes de trabalho caladas.

Não podemos continuar naturalizando a violência contra a mulher, a falta de punição dá força ao agressor que entende que na prática de qualquer ato violento ele terá penas brandas, a exposição nas redes sociais não pode ser a única forma que vítimas tenham de ter seus direitos atendidos. Não existe mais espaço para a reprodução desses valores de uma sociedade machista.

Lana Braga, Educadora social no enfrentamento à violência contra a mulher; vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres; CEO do Instituto Maria na comunidade

 
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