SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEGUNDA-FEIRA, 16 DE MAIO DE 2022
ARTIGO

Sorte e destino

Acreditar demais pode fazer água neste barco e tudo se perder no fundo de um pequeno e raso lago

Antonio Caprio
Publicado em 14/05/2022 às 20:43Atualizado em 14/05/2022 às 21:26
Antonio Caprio (Reprodução)

Antonio Caprio (Reprodução)

A palavra sorte é um substantivo que também pode significar destino, um acontecimento casual que pode ser de natureza boa ou má. Meia sorte não existe. É comum se ouvir nas rodas de conversas jogadas fora que fulano tem uma sorte danada, ou um azar como ninguém. Se ele comprar uma rifa, não compre, porque ele ganha, ou compre porque ele sempre perde.

Não há justificação para a sorte nem para o destino. Nem um nem outro se pode prever ou justificar. Entra nesta a própria Filosofia que arrisca definir sorte como casualidade, um simples fenômeno que não se pode explicar e muito menos se prever.

Esta similitude é que aproxima as palavras sorte e destino. É comum se ver pessoas com trevo-de-quatro folhas na porta da casa, no meio de livros, chaveiros com patas de coelho, folhas de arruda atrás da orelha, figa pendurada no pescoço, na gaiola do passarinho, ferraduras usadas pregadas nas porteiras do curral, no portão do chiqueiro e da própria morada. E se alguém comenta, a resposta é imediata: ....é melhor remediar do que amargar....

Sorte e destino podem ser até sinônimos e como tais tudo leva a imaginar que existe a possibilidade de se alterar o destino, sinônimo de fatalidade e o mesmo pode se dar com a sorte grande ou loteria, ou mesmo na mega sena, lembrando que só ganha quem joga.

Há a história de que alguém vivia orando insistentemente às suas forças ocultas para que ganhasse na loteria, e a insistência era tanto que o deus invocado apareceu e pediu ao crente rogante para que pelo menos comprasse o bilhete.

Nestes casos vence o imaginário popular. Há culturas que acreditam que a sorte pode ser alcançada com artifícios mágicos e rezas especiais, e não são raros os que acreditam nas borras da xícara de café.

Para muitos, a sorte e destino são elementos reais no imaginário popular, cujo primeiro mandamento é ‘acreditar’, e nisto se baseiam várias obras ficcionistas onde a chave é a lei da atração.

A Ciência não entra neste barco, pelo contrário, sendo certo, apenas, que acreditar demais pode fazer água neste barco e tudo se perder no fundo de um pequeno e raso lago. No campo de neurolinguística a sorte é apenas consequência gerada por uma conduta continuada e insistente. Compra-se sempre um bilhete de loteria, e não é difícil até o mesmo número. Um dia vai acabar dando certo. Ai entra em cena a famosa ‘ teoria da probabilidade’ de Blaise Pascal.

A Ciência, porem, não entra neste axioma, mas, sorte e destino são velhos amigos do homem e por estes caminhos muita gente acaba passando dias melhores onde a esperança, de um dia dar certo, o azar passa a ser sorte e tudo continua a se repetir na roda eterna da esperança, ou por força da sorte ou pela do destino.

Antonio Caprio, Prof. Dr.; matemático; Tanabi

 
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