Revolução silenciosa
O mercado brasileiro de negócios automatizados vem apresentando crescimento exponencial

Em um mundo cada vez mais acelerado, a busca por conveniência e agilidade tem impulsionado uma silenciosa revolução no varejo brasileiro: os negócios automatizados. Modelos como vending machines, minimercados autônomos e lavanderias self-service ganham espaço e representam uma fronteira promissora para empreendedores que buscam eficiência operacional e baixo custo de manutenção.
A disparidade atual entre o Brasil e mercados maduros é reveladora do potencial inexplorado. Enquanto no Japão existe uma vending machine para cada 30 habitantes, no Brasil a proporção é de apenas uma para cada 1.700 pessoas. Este cenário representa uma oportunidade sem precedentes para pioneiros dispostos a investir neste segmento.
O mercado brasileiro de negócios automatizados vem apresentando crescimento exponencial. Estima-se que o setor de minimercados autônomos cresceu 87% em 2024, segundo levantamento da Euromonitor International. O modelo demonstra forte resiliência em tempos de incerteza econômica, justamente por suas características operacionais enxutas.
A evolução tecnológica tem sido fundamental para tornar estes negócios viáveis. Sistemas de gestão 100% digital permitem monitoramento remoto em tempo real via aplicativos, proporcionando controle total de vendas, estoque e faturamento.
Para Carlos Martins, pesquisador da FGV em tecnologia para varejo, a tecnologia vem não só viabilizando os negócios automatizados, mas transformando completamente a experiência do consumidor. “Estamos vendo o início de uma revolução comportamental onde o autoatendimento deixará de ser exceção para se tornar regra.”
Apesar do cenário promissor, existem desafios a serem superados. O principal é quebrar o paradigma cultural de que apenas pessoas podem vender para pessoas. A educação do mercado sobre as vantagens da automação será determinante para a expansão deste segmento.
Para 2025, projeções da ABF indicam que o número de franquias automatizadas deve crescer 65%, impulsionado por fatores como redução de custos operacionais, demanda por conveniência e avanços tecnológicos que tornam estes sistemas cada vez mais intuitivos.
Em um país com vocação empreendedora como o Brasil, os negócios automatizados representam não apenas um caminho para a modernização do varejo, mas também uma porta de entrada para novos empreendedores que buscam modelos de baixa complexidade operacional e alto potencial de escala. Máquinas que nos servem 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem reclamações ou necessidade de supervisão constante.
A revolução silenciosa já começou. E desta vez, são as máquinas que estão empreendendo conosco.
Guilherme Alvares
Empreendedor e fundador do Grupo Avend