SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | TERÇA-FEIRA, 09 DE AGOSTO DE 2022
ARTIGO

O fator social e a petroleira

Nessa jornada, sem atalhos nem desvios, a vida do brasileiro ficou mais dura e desigual

Helio Silva
Publicado em 25/06/2022 às 21:10Atualizado em 25/06/2022 às 21:18
Helio Silva (Reprodução)

Helio Silva (Reprodução)

O preço do combustível derivado do petróleo trouxe a debate o papel da Petrobras na cena econômica brasileira e, nas entrelinhas desse debate, o grau de compromisso social daí decorrente. Concordemos, sob qualquer ângulo de análise, o papel da petroleira é relevante pela sua condição de primazia no negócio de uma “commoditie” estratégica e por sua história, decisiva no desenvolvimento do País e a colocá-la na condição de patrimônio nacional.

Criada em 1953 pelo Governo Vargas em reposta à uma mobilização nacionalista desde muito antes, a Petrobrás nasceu estatal e monopolista, porém, em 1997 transformou-se em empresa de economia mista com capital aberto, o Governo Federal seu acionista majoritário. Em sua atuação, foi crucial no induzir “pari passu” à sua presença, a industrialização e o avanço tecnológico nas décadas entre a segunda metade do século passado e atualmente, sendo, portanto, protagonista da nossa elevação, da condição de país tipicamente agrário, ao elenco das grandes nações do Mundo.

A Petrobras é, pois, a fantasia de Monteiro Lobato em suas catilinárias contra a Standard Oil (um polvo, segundo o escritor), empresa norte-americana que dizia não existir petróleo no Brasil, o que veio a ser desmentido. A fantasia de Lobato materializou-se na “maior empresa brasileira do Brasil”, pelos seus números exponenciais: em 2021, uma receita liquida de 452,7 bilhões de reais e dividendos de 24,6 bilhões de reais ao Governo Federal e 6,8 bilhões de reais ao BNDES.

No debate instalado, nele preponderando os efeitos negativos do preço matriz do petróleo sobre nossa economia, as sugestões vão do represamento no valor do litro do diesel e da gasolina cobrado na hora dos reabastecimentos à privatização total, propostas que, de “a” à “z”, não minoram a situação de que o petróleo nosso não é suficiente às nossas necessidades e, por isso, nos obriga à importação de parte do óleo processado que necessitamos, o que, pelas implacáveis leis naturais do mercado, eleva aqui esse preço, sobre ele a carga tributária e incidências até ao preço final ao consumidor na bomba ali da esquina e no qual está embutida a formação total de preços, da produção ao consumo.

Nessa jornada, sem atalhos nem desvios, a vida do brasileiro ficou mais dura e desigual: tem gente que, com ar “blasé”, paga mais de 400 reais no diesel da sua camioneta turbinada e gente, sem eira nem beira e sem o gás de cozinha, que se queima com álcool tentando preparar a sopa rala do dia.

Especificidades à parte, a Petrobras tem um efeito multiplicador passível de medição e reconhecido pelo senso comum, por resultado a produção da riqueza e do bem-estar da coletividade, enfim, um inegável papel social. Nossa Petrobras não foge à essa regra infalível. Em 2021, remunerou o capital estatal participante de seu patrimônio societário com dividendos de 32 bilhões de reais. De 2019 para cá, desembolsou 675 bilhões de reais em impostos e “royalties”, pagos à União, Estados e Municípios.

São números notáveis e que, sob gestão pública criteriosa e atenta às prioridades da Nação, favorecem a sociedade. Assim, que as medidas em andamento para adequação do preço do diesel e da gasolina não percam de vista a excelência empresarial da Petrobras e o saldo social positivo de sua presença entre nós.

Helio Silva, Advogado; Rio Preto

 
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