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ARTIGO

Neo. Novo?

O xadrez mundial deve se complicar e joga esse jogo quem tem dinheiro e armas

por Laerte Teixeira da Costa
Publicado em 31/01/2025 às 19:13Atualizado em 31/01/2025 às 19:18
Laerte Teixeira da Costa (Divulgação)
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Laerte Teixeira da Costa (Divulgação)
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Neo vem do grego e exprime a noção de novo. Isso se lê em qualquer dicionário. Nas últimas décadas do século passado, em discussões de natureza econômica, surgiu o termo “neoliberalismo”. Caracterizou-se pelas privatizações, por cortar gastos públicos, desregular a economia financeira e fomentar o livre-mercado. Foi tese vencedora e continua sendo sonho de muitos políticos.

Com os pronunciamentos do novo (novo?) presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, somos capazes de apostar que surgirão novos (novos?) neos: neoimperialismo e neointervencionismo. Nos dicionários significam respectivamente, política de dominação territorial, militar e econômica; e, no geral, a intervenção de um Estado sobre outro. Termos quase equivalentes.

A partir das bravatas de Trump, a impressão que sobra é exatamente a do desrespeito por territórios e uma descarada tentativa de moldar o mundo de acordo com os interesses estadunidenses. Essa ameaça de dominar o Norte, incluindo Canadá e Groenlândia, permite botar as mãos sobre um naco importante de terras raras. O encaminhamento disto e de outras intimidações do mesmo gênero, abrem os olhos de Rússia e China.

A Rússia reivindicará os territórios limítrofes da Ucrânia, principalmente a Península da Criméia, com posições privilegiadas para o mar Negro, entre outras. A China deixará de moderar seu apetite sobre Taiwan, que, de certa forma, impede o acesso aos mares do Sul. O xadrez mundial, com interesses pontuais de outras nações, deve se complicar e joga esse jogo quem tem dinheiro e armas. Olhando historicamente, jogam líderes ambiciosos e sem escrúpulos.

No comércio mundial se prevê a volta do protecionismo e de jogo aberto e visível na imposição de regras por parte dos países que têm algum poder de barganha. O Brasil, corrupto e venal, encontra-se deficitário, sem recursos e sem Forças Armadas minimamente capazes de resistência, o que nos faz reféns dessas esdrúxulas e ocasionais políticas expansionistas.

Teremos que nos aliar à União Europeia e Canadá e torcer para que o equilíbrio das forças internacionais se sustente e seja capaz de refrear a voracidade das grandes potências, entre as quais não nos incluímos por absoluta incompetência de nossas lideranças.

Voltando ao título, é previsto voltarmos a ler novas palavras com o prefixo neo. Neoimperialismo e neointervencionismo são as duas mais prováveis. Mas, há outras e os meios de comunicação logo escolherão a mais adequada. Se fosse neoexibicionismo ficaríamos mais tranquilos.

Laerte Teixeira da Costa, Vice-presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e ex-vereador de Rio Preto