SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 06 DE JULHO DE 2022
ARTIGO

Medo de estar perdendo algo

Fica a sensação de que quando não conectados estão perdendo tempo; é a síndrome FoMO

Araceli Albino
Publicado em 23/06/2022 às 22:39Atualizado em 23/06/2022 às 23:03
Araceli Albino (Reprodução)

Araceli Albino (Reprodução)

Estudos científicos psiquiátricos e psicológicos mostram que há uma grande angústia social causada pela ostentação feita nas redes sociais, em que as pessoas tem necessidade de publicar momentos de alegria e realizações. Pesquisas feita nos Estados Unidos e no Reino Unido indicam que estas pessoas são geralmente jovens e adultos entre 18 a 34 anos, são identificados como geração “millennial”.

Esta geração tem uma dependência psicológica do universo online, existe um desejo contínuo de conexão. Neste mundo hiper conectado, diariamente as pessoas são bombardeadas por notícias, ferramentas, livros, jogos, uma infinidade de atrativos que querem dar conta de tudo. Fica uma sensação de que quando não conectados estão perdendo tempo, perdendo algo, querem aproveitarem tudo o tempo todo, é a síndrome FoMO.

A necessidade de checar facebook a cada cinco minutos, ir a um evento e ficar pensando nos posts para instagran, rolar a timeline do twitter até que não tenha mais novidade é indício da síndrome. O instagran é, segundo as pesquisas, a pior mídia social para a saúde mental.

Com medo de perder algo no ambiente virtual o internauta passa a sentir necessidade de sempre atualizar suas redes sociais para ficar ciente do que os outros estão fazendo. Inicialmente as pessoas ficam mais distraídas, não conversam mais no celular, dirigem vendo celular para não perder nenhuma novidade, registro de stories. Com o tempo passam a apresentar mau humor, tédio, solidão, angústia e em casos graves depressão. Estes sintomas podem ser percebidos pelo próprio usuário, amigos e familiares.

O vício pode ser amenizado quando a pessoa percebe os excessos e comece a se importar consigo mesmo, se vigie, coloque horários para olhar as mídias e postar, se permita a ter experiencias na vida real com pessoas reais. Em caso em que não consiga se ajudar é necessário a ajuda de um profissional, um psicanalista, psicólogo e as vezes até psiquiátrico.

Os fatores desencadeadores pode ser o interesse de seguir a vida familiar, amigos, atividades sociais, hobbies, treinamento físico e depois vai aumentando as demandas. A disponibilidade dos dispositivos móveis, mídias sociais facilitam a comunicação em velocidade recorde. As pessoas são consideradas mais interessantes, bonitas, felizes, estilosas de gosto refinados, é um mundo de ilusões atrativas. Outro ponto significativo que as redes sociais viraram a fonte de juventude, ninguém quer envelhecer, e ali pode fazer de tudo para parecerem jovens. A busca de novas experiências a todo instante é um grande atrativo também. Psiquicamente a pessoa está adoecida, quando mais necessidade e dependência de objetos para se sentir visto, amado, bonito, inteligente, mais o seu ego está enfraquecido.

Os aspectos positivos das mídias sociais é oferecer um meio veloz de comunicação, conexão com o mundo, lazer, entretenimento, conhecimentos científicos, motivação para desenvolver os objetivos. É necessário ter consciência de identificar as oportunidades para o crescimento, agora tudo que é excessivo vai ser um gerador de patologias.

Araceli Albino, Doutora em Psicologia pela Universidad Del Salvador (Buenos Aires, Argentina), psicóloga pela Universidade de Uberaba (1982) e pós-graduação em Psicanálise e Linguagem pela PUC-SP; presidente Sinpesp (Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo)

 
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