SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 22 DE MAIO DE 2022
ARTIGO

Mais grãos, menos fome

O Brasil é o maior produtor de comida e deixa faltar alimentos na mesa da sua população

Nelson Gonçalves
Publicado em 14/05/2022 às 00:12Atualizado em 14/05/2022 às 00:32
Nelson Gonçalves (Reprodução)

Nelson Gonçalves (Reprodução)

Ano após ano o Brasil bate recorde e mais recordes na produção e exportação de grãos e de carnes. O Brasil é, de acordo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o maior produtor mundial de açúcar e café, o maior exportador de milho e o maior produtor de soja do mundo, responsável por 50% do mercado mundial desse grão.

Na produção de café, assim como do açúcar, o Brasil é responsável por mais de um terço da produção mundial. Lidera no café com 3,1 milhões (30,3%) de toneladas, seguido pelo Vietnã, com 16,9%, e Colômbia, com 10,7%. Em 2021 o Brasil respondeu por quase 20% da produção mundial da carne bovina. Bateu a marca de 10,4 milhões de toneladas de proteína animal, o segundo maior volume no mundo, logo atrás dos Estados Unidos.

Estudo elaborado pela Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire) sobre as exportações do Brasil nas últimas décadas revela que o país ganhou posições importantes no mercado internacional, tanto na produção quanto na exportação de produtos alimentícios. Em 2020, produziu 239 milhões e exportou 123 milhões de toneladas de grãos. Ou seja, mais da metade da nossa produção foi para atender mercados externos e ajudou a engordar o caixa do agronegócio brasileiro.

Nas últimas décadas, a posição do Brasil não se alterou muito quando se considerada a produção de grãos e de carnes, mas cresceu em termos de exportações. A cada ano que passa, maior se torna o volume de exportações da nossa produção agrícola e pecuária.

E não é somente em termos de grãos e carnes bovina que o Brasil bate recordes. A carne de frango, considerada como importante alimento na mesa do brasileiro, atingiu produções gigantescas. O Brasil possui o quarto maior rebanho de galináceos do mundo e se tornou, em 2020, o maior exportador de carne de aves com 4,3 milhões de toneladas (20,9%), deixando os Estados Unidos, que é maior em população e território, em segundo lugar com 18,2% do volume total exportado. Em relação aos suínos, o Brasil, em 2020, saltou da sétima para a terceira posição mundial na produção e exportação, perdendo apenas para a China e Estados Unidos.

Em 2020, o Brasil foi o terceiro maior produtor de frutas do mundo, com 58 milhões de toneladas em frutas produzidas, quase 6% da produção mundial, perdendo para a China (28%) e a Índia (11%). As melhores, chamadas “frutas de mesa”, não vão para a mesa dos brasileiros. São produtos tipo “exportação”, igual cabeça de bacalhau, que todo mundo escuta falar, mas nunca vê.

Quanto a toda essa megaprodução só temos que agradecer e parabenizar os nossos agricultores e pecuaristas que investem e trabalham muito para essas conquistas. Porém, em nosso modesto entendimento alguma coisa precisa ser feita – e não está sendo feita -- para que os alimentos cheguem mais em conta na mesa do trabalhador brasileiro.

O Brasil caiu, nos últimos anos, da 36ª para a 80ª posição em ranking internacional da fome. O problema da pobreza é mundial, agravado pelos impactos socioeconômicos da pandemia da Covid-19. Mas no Brasil a situação é ainda mais grave, pelo fato de o país ser o maior produtor de comida e deixar faltar alimentos na mesa da sua população.

Não é concebível que o Brasil sendo o maior produtor e exportador de soja, responsável por 50% da soja no mundo, o brasileiro não possa sequer experimentar o sabor desse nutritivo grão em seu prato.

Nelson Gonçalves, Jornalista, Rio Peto

 
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