SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEXTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2021
ARTIGO

Home office: o que aprendemos?

Ana Silvia Alves BorgoPublicado em 22/07/2021 às 02:17Atualizado há 22/07/2021 às 02:19

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Home office: o que aprendemos?

Ana Silvia Alves BorgoPublicado em 22/07/2021 às 02:17Atualizado há 22/07/2021 às 02:19

A pandemia deflagrada em março de 2020 impôs para muitos o trabalho em home office. Segundo pesquisa Datafolha, encomendada pelo C6 Bank, em 2020, 52% dos trabalhadores das classes A e B adotaram o trabalho em home office. Já dos que estão caracterizados como classe C, apenas 26% adotaram a modalidade de trabalho a distância.

Ao desempenharem o trabalho convencional em home office os trabalhadores viram as fronteiras físicas entre o trabalho e o lar deixarem de existir, exigindo adequações do espaço físico, das relações familiares e profissionais, e, principalmente, das emoções provocadas pelas mudanças, potencializadas por um cenário de incertezas e inseguranças, o que refletiu na saúde mental de muitos trabalhadores. Atualmente, para muitas organizações, avaliar esta modalidade de trabalho tem sido a pauta de reuniões e o objetivo de pesquisas junto aos seus colaboradores.

No Brasil, a pesquisa realizada em março pela WorldwildeERC, em parceria com a consultoria Global Line, entrevistou funcionários de 145 empresas multinacionais com operações no Brasil e registrou que mais da metade (58%) dos profissionais está “muito confortável” com o home office. Além disso, apontou também os desafios de trabalhar remotamente, aparecendo a socialização em primeiro lugar (68%) e desenvolvimento de confiança em segundo lugar (33%). Os pesquisados indicaram ainda as melhorias necessárias para continuidade do trabalho remoto, as quatro mais citadas foram: segurança de dados (79%), comunicação efetiva (74%), maior foco em uma cultura humanizada e colaborativa (70%) e manter o engajamento dos trabalhadores (65%).

Algumas organizações já retornaram ou definiram o retorno para a modalidade presencial ou flexível/híbrida. No Vale do Silício, por exemplo, o Google retornará as atividades presenciais a partir de 1º de setembro; já a Amazon, quer retornar à cultura padrão centrada no escritório, pois acredita que trabalhar juntos contribui para a aprendizagem coletiva, a colaboração e a inovação. Quando estas empresas, que são referências em tecnologia, decidem priorizar o trabalho presencial ao home office é importante dar atenção e procurar entender os motivos.

A Amazon, ao justificar os motivos para o retorno ao trabalho presencial, expressa o valor que dá ao coletivo e as interações presenciais. Neste coletivo há a expressão dos afetos, medos, a confiança, a colaboração, a solidariedade, a competição, relações de poder, enfim, produtos da subjetividade e da intersubjetividade no trabalho.

As interações de confiança são resultado de vínculos psicoafetivos construídos no coletivo e contribuirão para um ambiente solidário e cooperativo, que é fundamental para a promoção da saúde mental no trabalho na perspectiva da psicodinâmica do trabalho.

Os desafios de gestão, de liderança, de relações socioprofisionais, de promoção da saúde mental no trabalho e outros, se apresentam tanto no trabalho presencial quanto no virtual. No entanto, o trabalho virtual apresenta limitações reais pela ausência da presença física e tudo o que ela promove na comunicação, na construção dos vínculos psicoafetivos, no engajamento entre outros aspectos.

Portanto, as organizações que pretendem continuar em sistema de home office ou híbrido/flexível, principalmente quando “terminar a pandemia”, terão que planejar e promover ações que compensem ou minimizem as limitações do virtual. Esforçando para que todo o arsenal high tech não subestime o que há de mais rico e importante: o ser humano na sua inteireza!

undefinedPsicóloga e professora do ISAE Escola de Negócios

 
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