Comece hoje pagando a partir de R$5/mês no plano mensal
ARTIGO

Fetichismo material, consumismo e seus impactos

Pesquisas apontam que caminhamos para uma situação irreversível de poluição

por Gabriel Bergamini
Publicado em 30/12/2024 às 20:07Atualizado em 30/12/2024 às 21:53
Gabriel Bergamini (Divulgação)
Galeria
Gabriel Bergamini (Divulgação)
Ouvir matéria

Os produtos deveriam diferir apenas em suas formas de uso e criação, mas a lógica do fetiche material do Capitalismo atribui conceitos fantasiosos aos materiais, inflacionando seu valor de forma exorbitante.

Para Karl Marx, as mercadorias têm dois valores: o valor-de-uso, ligado à utilidade concreta do produto, e o valor-de-troca, definido pelo tempo de trabalho socialmente necessário para produzi-lo e por sua capacidade de troca.

O fetichismo da mercadoria ocorre quando valores místicos ou simbólicos são atribuídos aos produtos, conferindo-lhes um “status” que supera sua utilidade prática. Isso cria riquezas simbólicas ao inflacionar o valor-de-uso de itens muitas vezes iguais às versões anteriores.

No capitalismo, o mercado, representado por grandes indústrias, estimula o consumismo ao associar produtos a prestígio. Sendo que os produtos rapidamente tornam-se obsoletos, forçando novas compras e criando uma dependência por versões ligeiramente alteradas, ou nem tendo concreta alteração.

O consumismo, alimentado pelo fetichismo, está diretamente ligado ao impacto ambiental. Ele aumenta a demanda por matérias-primas, sejam minerais, animais ou vegetais, e também a geração de resíduos. Muitas vezes, essa demanda ignora questões legais, como nas invasões às terras Yanomamis. Desde 1985, essas terras são invadidas, com 3.278 hectares devastados até 2022 pelo garimpo ilegal.

Além disso, o descarte de produtos “ultrapassados” gera toneladas de resíduos diariamente. Grande parte da população ainda subestima a gravidade do problema. Pesquisas apontam que caminhamos para uma situação irreversível de poluição e esgotamento de locais para armazenamento.

Segundo o relatório “Global Waste Management OUTLOOK 2024”, os resíduos sólidos municipais podem crescer de 2,1 bilhões de toneladas em 2023 para 3,8 bilhões até 2050. Os plásticos representam 12% desse total. O relatório mostra como padrões de consumo exacerbados agravam a crise ambiental, ao conectar maior poder aquisitivo a maior geração de resíduos.

Portanto, é urgente repensarmos nossos padrões de consumo e adotarmos um modelo mais sustentável. Isso é essencial para enfrentar as crises climáticas e os desafios que elas trarão às futuras gerações.

Gabriel Bergamini, Estudante de Ciências Biológicas - UNIP