SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 18 DE MAIO DE 2022
ARTIGO

Desafios de logo mais

Com base nos números e na vocação da região de Rio Preto, teremos um futuro desafiador

Helio Silva
Publicado em 22/01/2022 às 20:15Atualizado em 22/01/2022 às 20:27
Helio Silva

Helio Silva

Noticia do “Diário da Região:” apesar de uma queda próxima dos 5%, em 2021 o agronegócio dos municípios da região de Rio Preto chegou à marca dos 2 bilhões de dólares exportados, a cana de açúcar e as carnes os produtos ponteiros. No cotejo com as importações, o “superávit” ultrapassou os US$ 1,7 bilhão.

Os números expressam a pujança do agronegócio, relevante em termos de Brasil e mais que significativa na porção noroeste do Estado de São Paulo. A não se levar em conta a característica de centro polarizador de serviços e negócios, chamariam a atenção os números exibidos por Rio Preto com US$ 28 milhões exportados contra US$ 146 milhões importados, quando Barretos chegou aos US$ 237 milhões nas vendas para o exterior e, assim, à liderança entre seus pares. Entretanto, confrontos numéricos, quantitativos e sem a análise devida, não medem qualitativamente a economia regional, marcada por uma agropecuária extrativa atrelada às cadeias globais de produção e vinculada a uma cidade-sede especializada na prestação de serviços em grande parte sofisticados, que é Rio Preto.

Rio Preto com seus 470 mil habitantes soma-se a Barretos, Catanduva, Votuporanga e a outros municípios com populações menores, todos eles a exercerem funções econômicas complementares entre si e que, no seu conjunto e homogeneidade, materializam um processo integrado e modelar de desenvolvimento regional. São 55 unidades politico-administrativas servidas por malha viária moderna, topografia favorável, rios navegáveis, grandes hidrelétricas e potencial turístico.

O que esperar de tudo isso? Do ponto de vista do agronegócio, amplo sucesso. Afinal, o mundo busca segurança alimentar e, até 2050, prevê-se que a produção mundial de alimentos deva crescer em até 60% mais que hoje. Nada mais promissor, pois. E do ponto de vista do complexo adjacente ao agronegócio, ou seja, das necessárias intervenções na sua logística de distribuição e do efeito indutor e multiplicador da atividade sobre consumo, renda e investimento das pessoas e dos entes públicos e privados?

Serão também crescentes as demandas de capital a suprir transporte, armazenagem, gerenciamento e inovação em busca de metas de produtividade cada vez mais ambiciosas e concordes com as exigências da sustentabilidade. No caso específico da região, talvez o agronegócio derive do modelo industrial extrativo para o manufatureiro, com a instalação, aqui, de plantas de transformação do produto bruto vindo do campo.

Imaginemos o impacto dessa muito provável realidade sobre o “modus vivendi” dos 55 municípios da região, em especial, sobre o seu município-sede. No campo, em razão de uma natural desmobilização populacional, as propriedades deverão adaptar suas instalações a modelos autossuficientes, contudo, conectados, em permanente interação, às concentrações urbanas. Nas cidades, crescerão em escala ainda maior as demandas por serviços públicos essenciais, tais habitação, saúde, segurança, saneamento e mobilidade urbana, porque inevitável, em função da conurbação, o impacto sobre o equipamento urbano que, obrigatoriamente, terá que acolher um dispositivo de serviços e de negócios maior e mais sofisticado que o atual. Com base nos números de agora e na vocação da região de Rio Preto, um futuro desafiador, contudo, gratificante.

Helio Silva, Advogado; Rio Preto

 
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