SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEXTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2022
ARTIGO

A favela venceu

Foi imprescindível a união de setores de variados segmentos para fazer o onírico se tornar concreto

Geninho Zuliani
Publicado em 02/07/2022 às 20:25Atualizado em 02/07/2022 às 20:49
Geninho Zuliani (Reprodução)

Geninho Zuliani (Reprodução)

Não tem como não se emocionar e ficar reflexivo ao relembrar o som de centenas de crianças, jovens, adultos e idosos bradando "A favela venceu", em alto e bom, em referência a um dos versos do funk de MC Paulin, quando presenciaram, na última quinta-feira, o primeiro barraco da Favela Marte, em São José do Rio Preto, ir ao chão, por meio de uma pá-carregadeira comandada pelo novo governador de São Paulo, Rodrigo Garcia.

Era a guinada da história. Era a história virando história. Do antagonismo ao protagonismo. Casa digna e vida nova para 240 famílias. Início de uma nova fase deixando para trás o longínquo outubro de 2013 quando começava a ocupação do espaço que mais tarde daria origem à Favela da Vila Itália, hoje Favela Marte. Data para ficar na memória, data que marcou o início das obras de urbanização de uma comunidade inteira, data de execução de um projeto inovador e vanguardista, que após ser consolidado, em alguns meses, servirá de exemplo para o Brasil como um todo, podendo ser replicado País afora, mudando a realidade de milhares de brasileiros.

Projeto que vem para preencher uma lacuna que muitos municípios vivenciam no dia a dia, o crescimento desordenado de famílias sem moradias sob condições desumanas de sobrevivência, muitas sem sequer saneamento básico, estudo ou condições dignas, ansiando por um respaldo socioeconômico e social que muitas vezes não vem. Reflexo do crescimento desordenado e ampliação das ocupações habitacionais irregulares, principalmente em grandes centros urbanos. Como os mais de 12 milhões de brasileiros, que segundo dados do Ministério das Cidades, vivem em condições precárias em todo o País a margens de seus direitos constitucionais.

Vejo que tornar uma favela em um bairro com infraestrutura adequada, serviços essenciais básicos e condições dignas é a política habitacional mais acertada. No caso de São José do Rio Preto pactuaram corretamente as entidades envolvidas, a prefeitura local que abraçou a iniciativa, desapropriou a área e vai auxiliar na execução de projetos de infraestrutura, o Estado que liberou recursos para viabilização da urbanização, e a iniciativa privada, por meio de tantos empresários de Rio Preto e região, que abraçaram a causa e fizeram a diferença.

Como vemos, no caso da Favela Marte, foi imprescindível a união de setores dos mais variados segmentos para fazer o onírico deixar de ser ilação e se tornar concreto. Projeto sonhado por muitos e idealizado por várias esferas, do privado ao público, numa simbiose ímpar, que vai marcar de forma permanente a vida de centenas de pessoas. Pessoas como o senhor Benvindo Nery Pereira, coordenador e líder comunitário da Favela Marte, que vem acompanhando e registrando de perto toda a evolução do projeto ou como Ana Ester Palhares que assistiu seu barraco ser derrubado para dar início a um processo que vai trazer dignidade e qualidade de vida para cada uma das famílias que viviam ali.

Fica o exemplo de Rio Preto para que seja referência em outras comunidades carentes de iniciativas. Espaços que também podem ser urbanizados, providenciando água, esgoto e energia, condições mínimas de sobrevivência, promovendo simultaneamente ações de geração de emprego e renda.

Aproveito esse espaço para mais que parabenizar, para agradecer a todos os pioneiros desta ideia, como a empreendedora social Amanda Oliveira, do Instituto As Valquírias, Edu Lyra, CEO da Gerando Falcões e os empresários rio-pretenses que foram fundamentais para alavancar esse propósito, e hoje são reconhecidos pela notoriedade com que agiram por políticos como eu.

Geninho Zuliani, Deputado federal pelo União Brasil

 
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