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A eutrofização do rio Tietê

A mitigação do problema depende da redução da carga de nitrogênio e de fósforo lançada no rio

por José Mário Ferreira de Andrade
Publicado em 24/01/2024 às 21:53Atualizado em 24/01/2024 às 23:23
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O rio Tietê nasce na contra vertente da Serra do Mar, a 840 metros de altitude, atravessa o Estado de São Paulo, em seu maior comprimento, numa extensão de 1.050 quilômetros. Desemboca no rio Paraná com um a vazão de 600 metros cúbicos por segundo, maior que rios importantes como o Tâmisa, na França. Mas quando o Tietê corta São Paulo, a sua vazão é muito baixa (cerca de 50 metros cúbicos por segundo).

Na bacia do rio Tietê há cerca de 30 milhões de habitantes, 70% da população do Estado de São Paulo. É a bacia hidrográfica mais densamente habitada do Brasil. 34% dos esgotos sanitários gerados no estado não são tratados. Cidades como Guarulhos e Bauru não tratam 100% dos esgotos. Além dos esgotos sanitários, há as águas residuárias industriais, da agricultura e pecuária (confinamentos), lançadas ao longo do rio Tietê.

Não existe sistema de tratamento que remova 100% da poluição hídrica. A tecnologia prática disponível remove 80% a 90% da matéria orgânica contida nas águas residuárias. Sobra uma matéria estabilizada na forma de sais minerais como nitrogênio e fósforo, nutrientes essenciais ao crescimento das algas.

Os sistemas de tratamento empregados nas cidades e nas indústrias não são capazes de remover totalmente esses nutrientes. Na medida que a concentração de nutrientes aumenta, podem ocorrer episódios críticos de florescimento de algas e as águas dos rios ficam esverdeadas. Em abril de 2019, dezenas de toneladas de peixes morreram em Sales durante um desses episódios no baixo Tietê.

Nos últimos dias ocorreram chuvas mais volumosas na região metropolitana de São Paulo (alto Tietê) e escassas no baixo Tietê. Isso, associado às altas temperaturas e à luminosidade prolongada, podem ter criado as condições favoráveis para a floração de algas que aconteceu nos municípios de Novo Horizonte e Sales, no baixo Tietê.

As algas cobriram extensos trechos do rio Tietê e de seus afluentes (remansos), provocaram mortandade de peixes e emissão de odor. Ocorrem prejuízos ao turismo, lazer, aquicultura e pesca desportiva. O extenso crescimento de algas é o prenúncio da eutrofização do baixo Tietê, uma das mais graves consequências da poluição hídrica.

Ante esses episódios, a população fica indignada e reclama com razão. Contudo, a mitigação do problema depende da redução da carga de nitrogênio e de fósforo lançada ao longo do rio Tietê, principalmente na região metropolitana de São Paulo (22 milhões de habitantes), que não para de crescer.

José Mário Ferreira de Andrade, engenheiro civil e sanitarista