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Vibe Coding não escala? Depende de quem está no comando

O problema nunca foi a ferramenta, foi sempre a qualidade de quem a conduz

por Anderson Claiton Lopes
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Anderson Claiton Lopes (Divulgação)
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Anderson Claiton Lopes (Divulgação)
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A ferramenta não é o problema, a falta de arquitetura por trás dela é! Nos últimos meses, Vibe Coding virou sinônimo de polêmica no setor de tecnologia. Ouço constantemente de profissionais experientes que não escala, não tem governança, compromete a segurança. Respeitando as opiniões, discordo. E tenho boas razões para isso.

As críticas têm fundamento parcial. Um leigo que usa uma plataforma de Vibe Coding e consegue um software funcional em dias cria, sim, uma série de problemas ocultos: chamadas de função duplicadas, edge-functions redundantes, dados sensíveis expostos no front-end, ausência de testes e versionamento frágil. Isso não é o Vibe Coding falhando, é a ausência de arquitetura.

Na prática, já vi grandes profissionais e empresas trabalhando com governança real nesse contexto. A receita existe: usar o Cursor como IDE principal, conectar o banco de dados diretamente pelo Supabase, versionar o código no GitHub, coordenar as edge-functions pelo Railway e publicar o front-end pelo Vercel. Cada peça cumpre um papel. O resultado é produtividade com controle.

Com essa abordagem, a plataforma de Vibe Coding passa a atuar como um desenvolvedor. Dependendo da forma como você conduz as tarefas, ela performa como um dev júnior, pleno ou até sênior.

A diferença está em quem está fazendo as perguntas.

Na vida real, isso não é novidade. Arquitetos de software sem maturidade também entregam aplicações com débitos técnicos e falhas graves. Devs inexperientes testam na produção e deixam o cliente descobrir os bugs. O problema nunca foi a ferramenta, foi sempre a qualidade de quem a conduz.

Minha tese é que o Vibe Coding cobre um gap estrutural que o Brasil enfrenta há anos: falta de mão de obra qualificada em tecnologia. Projetos que estavam na gaveta por falta de time ou verba agora têm caminho. Mas só saem bem se houver um CTO, um gerente de sistemas ou um dev que entenda o impacto da IA e saiba extrair o melhor dela, sem resistência, sem contradição.

Quem ainda debate se Vibe Coding é sério ou não está fazendo a pergunta errada. A pergunta certa é: você tem a arquitetura e a liderança técnica para usá-lo bem?

Anderson Claiton Lopes

Mestre em Ciência da Computação (UNESP) · Diretor Comercial em Tecnologia na RARO Labs · Professor Universitário UNORTE e UNIP