Tecnologia que resolve problema real começa pelo dado
Criamos uma estrutura que permite tratar, qualificar e preparar a informação antes de qualquer uso

A maioria das empresas começa pela inteligência artificial. Na prática, o problema quase sempre está antes disso: no dado. Ao longo da minha trajetória, passando por grandes instituições financeiras e hoje liderando tecnologia na GVC Soluções, do Grupo Rodobens, aprendi que não existe modelo inteligente sem uma estrutura sólida por trás. A qualidade da inteligência artificial está diretamente ligada à qualidade do dado. Quando esse dado é mal estruturado, incompleto ou desorganizado, o resultado não é inteligência. É ruído.
Na GVC, a primeira decisão não foi usar IA. Foi organizar o dado. Criamos uma estrutura que permite tratar, qualificar e preparar a informação antes de qualquer uso. Isso garante que qualquer análise, previsão ou automação tenha consistência. Sem essa base, a tecnologia não sustenta resultado.
Outro ponto central é entender que dado não é só informação armazenada. Ele precisa ser ativado. Quando conseguimos cruzar histórico, comportamento e perfil, passamos a atuar de forma personalizada. No nosso caso, isso significa direcionar a estratégia certa para cada perfil, respeitando o momento e a capacidade de cada pessoa.
A inteligência artificial entra depois. E entra para escalar. Hoje já utilizamos IA para leitura de processos jurídicos, análise de interações e apoio em tempo real para operadores. Não se trata de substituir pessoas, mas de dar contexto e velocidade para decisões que antes eram manuais.
Na prática, isso aparece no dia a dia. Um operador inicia o atendimento já com informações organizadas, histórico consolidado e sugestões de abordagem. O ganho não é só produtividade. É precisão na decisão.
Outro exemplo é o uso de speech analytics. Todas as interações são transcritas e analisadas. A partir disso, identificamos padrões, riscos e oportunidades de melhoria. Isso aumenta conversão, reduz atrito e melhora a experiência.
Mas tecnologia sem processo não funciona. Não existem dados ruins. Existem processos ruins que geram dados ruins. Por isso, a construção é contínua e exige disciplina.
Outro aprendizado importante é ouvir quem está na ponta. Muitas das evoluções vêm dos próprios operadores. São eles que lidam com o cliente, entendem as dificuldades e mostram onde a tecnologia precisa atuar.
Por fim, há um tema que não pode ser ignorado: segurança. O avanço tecnológico ampliou também o risco. Proteger dados deixou de ser diferencial e passou a ser obrigação. E, muitas vezes, o ponto mais vulnerável está fora da grande empresa, na cadeia ao redor.
O futuro não será definido por quem usa mais tecnologia, mas por quem usa melhor. E isso começa com uma decisão básica: sem dado estruturado, a IA só acelera erro.
Fábio Tsukahara
Líder de tecnologia da GVC Soluções, do Grupo Rodobens