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RADAR ECONÔMICO

Sobra de caixa não é lucro e falta de caixa não é prejuízo

A situação econômica se refere ao resultado, ao lucro ou prejuízo; já a situação financeira se refere ao giro de caixa, às entradas e saídas de dinheiro

por Wagner Jacometi
Publicado em 08/07/2026 às 19:21Atualizado em 08/07/2026 às 19:32
Institucionais do Escritório Regional de Sao Jose do Rio Preto, no interior de São Paulo. - Data: 30/09/2022 - Local: Sao Jose do Rio Preto, SP - Foto: Jean Morelli/Plus Images
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Institucionais do Escritório Regional de Sao Jose do Rio Preto, no interior de São Paulo. - Data: 30/09/2022 - Local: Sao Jose do Rio Preto, SP - Foto: Jean Morelli/Plus Images
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Muitos gestores se referem aos termos econômico e financeiro como se fossem palavras sinônimas, como se significassem a mesma coisa, inclusive utilizando-as rotineiramente como uma única palavra composta: econômico-financeiro. Assim, é bastante comum se ouvir alguns gestores comentarem que estão — ou não — com problemas econômico-financeiros.

É importante salientar que esses dois termos não são sinônimos: econômico tem um significado e financeiro tem um significado completamente diferente. E, para o bom gerenciamento de um negócio, é imprescindível que se tenha clareza a respeito desses conceitos. Não necessariamente pela questão referente aos termos em si, mas pelos impactos que o conhecimento de cada situação terá sobre as estratégias a serem tomadas na gestão da empresa.

A situação econômica se refere ao resultado, ao lucro ou prejuízo. Ou seja, dizemos que uma empresa tem saúde econômica se suas atividades geram lucro. Já a situação financeira se refere ao giro de caixa, às entradas e saídas de dinheiro. Uma empresa com saúde financeira tem dinheiro suficiente para pagar suas obrigações em dia sem a necessidade de buscar recursos de curto prazo, como antecipação de recebíveis, utilização de cheque especial ou, ainda, das linhas de crédito automáticas oferecidas pela maior parte dos bancos comerciais. Em contrapartida, ter problemas econômicos significa não gerar lucro e ter problemas financeiros significa não ter dinheiro suficiente em caixa.

Os relatórios contábeis e gerenciais que apontam estas duas situações, além de serem diferentes, são elaborados sob diferentes regimes. A situação econômica é demonstrada pelo demonstrativo de resultados, que reflete as receitas das vendas deduzidas de todos os gastos (custos, despesas, impostos…), registradas quando ocorre o fato gerador, independentemente de terem sido efetuados os pagamentos ou recebimentos referentes a esses fatos. E no fluxo de caixa são registradas as entradas e as saídas de recursos exatamente quando ocorrem, não importando quando ocorreu o fato gerador, incluindo aquelas que não têm a ver com a operação da empresa.

Isso significa que uma empresa pode ter uma boa saúde econômica, estar gerando lucro e não ter caixa suficiente para seu giro, precisando buscar recursos adicionais. Da mesma forma, a empresa pode estar com uma situação financeira confortável, mas suas atividades estarem gerando prejuízo. E, por mais que possa parecer estranho, ambas são situações que ocorrem com bastante frequência, sem que os gestores tenham o exato conhecimento do que está acontecendo e não tenham segurança de quais ações devem ser priorizadas.

Esse descompasso ocorre justamente pela natureza dos relatórios, um deles feito por regime de caixa e outro por regime de competência. Se, por exemplo, sua empresa realizou vendas a prazo, os registros no demonstrativo de resultados serão feitos no mês da venda e os registros no fluxo de caixa serão feitos nos meses em que ocorrem o pagamento.

Essa confusão entre essas questões é um problema recorrente em um grande número de empresas. E o que se vê comumente são gestores de empresas que estão passando por algum problema pontual, tomarem decisões equivocadas, justamente por não terem esse conceito muito claro. Assim, cada situação exige estratégias completamente diferentes.

Wagner Jacometi

Consultor de negócios do Sebrae-SP