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EDITORIAL

Sem vacina, sem proteção

Enquanto a doença mata, a adesão à campanha de vacinação antigripe segue baixa, muito aquém do necessário para conter casos graves e evitar novas perdas

por Da Redação
Publicação em 07/05/2026
Editorial (Divulgação)
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A confirmação de três mortes por Influenza A (H3N2) em Rio Preto deveria soar como um alerta inequívoco. Não se trata de números frios ou estatísticas distantes, mas de vidas interrompidas, sendo duas delas, inclusive, de pessoas jovens, sem comorbidades, desmontando a falsa sensação de que apenas grupos mais vulneráveis correm risco.

Mais grave ainda é o fato de que todas as vítimas não estavam vacinadas. Esse dado evidencia uma contradição difícil de ignorar: enquanto a doença mata, a adesão à campanha de vacinação segue baixa, muito aquém do necessário para conter casos graves e evitar novas perdas.

Reportagem do Diário na edição de ontem, com base em informação da Secretaria da Saúde, mostrou que, desde o início da campanha, a cobertura vacinal geral não passa de 29%. Entre crianças, o índice é ainda mais preocupante, pouco acima de 16%. Idosos e gestantes também estão longe da meta de 90% estipulada.

A consequência dessa baixa adesão aparece de forma concreta. O município já registra dezenas de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave associados à gripe, um indicativo claro de que o vírus circula com intensidade e encontra uma população insuficientemente protegida.

É preciso enfrentar, com franqueza, as razões por trás desse cenário. Parte delas pode estar na complacência após anos de campanhas recorrentes, como se a gripe fosse sempre um problema menor. Outra parcela pode ser atribuída à desinformação ou ao cansaço coletivo com temas de saúde pública após a pandemia. Mas nenhuma dessas explicações justifica a negligência.

A vacina contra a gripe é amplamente testada, segura e eficaz na prevenção de formas graves da doença. Não se trata apenas de proteção individual, mas de um pacto coletivo para reduzir a circulação do vírus e proteger os mais vulneráveis.

Também chama atenção o fato de que, mesmo diante de sintomas mais graves, muitas pessoas ainda demoram a procurar atendimento. Esse atraso pode ser decisivo no desfecho dos casos, agravando quadros que poderiam ser tratados de forma mais eficaz se diagnosticados precocemente.

É necessário um esforço mais incisivo de mobilização, comunicação e conscientização, que dialogue diretamente com a população e enfrente resistências com informação clara e acessível. Cada dose não aplicada representa uma oportunidade perdida de evitar internações e mortes. E cada morte, como as três agora confirmadas, reforça o custo dessa omissão.

No fim, a equação é simples e conhecida: o vírus não espera. Enquanto essa distância persistir, a gripe continuará deixando de ser apenas uma doença sazonal para se tornar, mais uma vez, um problema de saúde pública evitável e, ainda assim, negligenciado.