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EDITORIAL

Rio Preto no escuro

A iluminação pública é um dos instrumentos mais básicos de proteção. Quando ela falha, aumenta a vulnerabilidade de quem caminha pelas ruas

por Da Redação
Publicado em 07/07/2026 às 00:00
Editorial (Divulgação)
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As mais de 800 reclamações protocoladas na Câmara de Rio Preto entre 2025 e junho deste ano revelam que há algo de muito errado na iluminação pública da cidade. Apesar de o volume ser considerável, é apenas um ponto de luz no meio da escuridão, já que basta percorrer Rio Preto depois do anoitecer para perceber que as queixas levadas ao Legislativo estão longe de representar o tamanho do problema. Há ruas, avenidas, praças e bairros inteiros onde a precariedade da iluminação deixou de ser exceção para se tornar parte da paisagem urbana.

Os relatos reunidos pela reportagem do Diário na semana passada evidenciam que não se trata de uma região específica nem de uma deficiência pontual, mas de descaso em diferentes pontos da cidade, alguns conhecidos há meses e outros há mais de um ano. Moradores transitam diariamente por vias mal iluminadas sem saber quando a situação será finalmente resolvida.

A consequência mais imediata é a insegurança. A iluminação pública é um dos instrumentos mais básicos de proteção. Quando ela falha, aumenta a vulnerabilidade de quem caminha pelas ruas, aguarda transporte coletivo, utiliza praças ou simplesmente retorna para casa à noite. A escuridão não cria a criminalidade, mas reduz a visibilidade, dificulta a vigilância natural dos espaços e amplia as oportunidades para furtos, roubos e outros delitos. Também compromete a mobilidade, favorece acidentes e restringe o uso de áreas públicas que deveriam permanecer acessíveis à população.

Não por acaso, praticamente todas as reclamações apresentadas pelos moradores convergem para a mesma preocupação: o medo. Famílias deixam de frequentar praças, pessoas evitam determinados trajetos e trabalhadores encerram o dia com a sensação de que o percurso até casa se tornou mais arriscado do que deveria ser. Quando um serviço essencial falha por tanto tempo, o prejuízo ultrapassa o aspecto material e afeta diretamente a qualidade de vida da cidade.

É verdade que parte desse cenário decorre da complexa divisão de responsabilidades entre concessionárias e município, especialmente durante o processo de transferência dos ativos de iluminação. Mas essa explicação administrativa pouco altera a realidade de quem permanece no escuro.

A implantação do Smart Rio Preto, por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), representa uma oportunidade concreta para romper um ciclo de manutenção insuficiente que se arrasta há anos. A previsão é que sejam instaladas três mil câmeras com inteligência artificial e 74 mil pontos de iluminação pública com LED. Segundo a Prefeitura, a expectativa é que 90% do projeto esteja concluído nos próximos 18 meses.

A proposta de modernizar o parque de iluminação e estabelecer um modelo mais eficiente de gestão pode, enfim, oferecer uma resposta compatível com o tamanho da demanda acumulada. É um projeto que merece crédito, mas também acompanhamento.

Até a instalação completa do Smart Rio Preto, é preciso que os problemas envolvendo a precariedade da iluminação pública sejam atacados. É necessário devolver aos moradores o quanto antes a confiança de que um serviço público essencial funciona como deve, e não deixar a população literalmente nas trevas.