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ARTIGO

Rio Preto no centro da ortopedia brasileira

Os reflexos de um congresso dessa dimensão não ficam restritos aos auditórios

por Prof. Dr. Helencar Ignácio
Publicado em 07/08/2026 às 19:48Atualizado em 07/08/2026 às 19:51
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Quando uma cidade recebe um dos maiores congressos de uma especialidade médica, a escolha raramente acontece por acaso. Ela é consequência da história construída por suas instituições, da qualidade dos profissionais que forma, da assistência que oferece e da produção científica que consegue gerar.

É por isso que a realização do 31º Congresso de Ortopedia e Traumatologia do Estado de São Paulo (COTESP), em São José do Rio Preto, merece ser vista sob uma perspectiva mais ampla. O congresso reúne especialistas para discutir os avanços da ortopedia, mas também coloca a cidade no circuito dos grandes encontros científicos brasileiros.

Durante três dias, Rio Preto se transforma em espaço de discussão sobre temas que já fazem parte da prática médica e que devem ganhar ainda mais importância nos próximos anos. Inteligência artificial, medicina regenerativa, cirurgia robótica, impressão 3D, novos biomateriais e outras tecnologias dividem espaço com debates sobre formação profissional, pesquisa e assistência ao paciente. A medicina evolui rapidamente e eventos como esse permitem que conhecimento e experiência circulem entre profissionais de diferentes gerações e regiões.

A presença do congresso em nossa cidade também evidencia um trabalho desenvolvido de forma integrada pela FAMERP, pela Funfarme e pelo Hospital de Base. A combinação entre faculdade, hospital de ensino e pesquisa criou um ambiente que forma especialistas, produz conhecimento e atende pacientes de alta complexidade. Na ortopedia, esse modelo ajudou a consolidar um programa de Residência Médica reconhecido nacionalmente e contribuiu para que Rio Preto se tornasse destino de médicos que buscam qualificação.

Os reflexos de um congresso dessa dimensão não ficam restritos aos auditórios. Centenas de participantes movimentam hotéis, restaurantes, bares, comércio, transporte e serviços. O aeroporto recebe mais passageiros, a rede hoteleira amplia sua ocupação e a economia local sente os efeitos positivos do turismo de negócios. Investir em ciência e educação também produz desenvolvimento.

Ao longo dos anos, Rio Preto deixou de ser conhecida apenas pela qualidade da assistência em saúde. Passou a ser lembrada também como um lugar onde se ensina, se pesquisa e se produz conhecimento. A FAMERP, a Funfarme e o Hospital de Base têm participação direta nessa trajetória e ajudam a projetar o nome da cidade muito além das fronteiras do interior paulista. Receber um congresso como o COTESP é consequência desse trabalho e, ao mesmo tempo, um estímulo para que ele continue avançando.

Helencar Ignácio

Diretor-geral da FAMERP, médico ortopedista e traumatologista, especialista em cirurgia do pé e tornozelo.