Rio Preto merece mais respeito e menos improviso
Causa estranheza a contratação sem licitação de uma instituição desconhecida da população local

Passados 16 meses da atual administração, praticamente não há uma semana em que São José do Rio Preto não seja surpreendida por alguma nova crise produzida pelo próprio governo municipal. A cidade, que tanto avançou ao longo dos últimos anos, volta a conviver com insegurança administrativa, falta de planejamento e sucessivas decisões questionáveis.
Nos quatro mandatos em que tivemos a honra de administrar Rio Preto, enfrentamos muitos desafios. Nenhuma gestão está livre de dificuldades. Mas todos os problemas foram superados com trabalho sério, responsabilidade e, sobretudo, com o empenho dos servidores públicos e secretários municipais comprometidos com a cidade. Recuperamos a autoestima do rio-pretense, que hoje, infelizmente, parece novamente abalada.
Basta percorrer os bairros e avenidas para perceber o abandono. Ruas esburacadas, mato alto em diversos pontos, praças públicas sem manutenção há meses e uma sensação generalizada de descuido. O cidadão rio-pretense passou a conviver com uma cidade sem zeladoria e sem presença efetiva do poder público. Isso sem falar no aumento abusivo do IPTU e da Planta Genérica de Valores.
A instabilidade também marca o secretariado. Mudanças frequentes de secretários transformaram áreas estratégicas da administração em verdadeiras experiências improvisadas, como se a gestão pública fosse uma partida de futebol amador, em que se troca de time a todo instante.
Há poucas semanas, a cidade assistiu à polêmica envolvendo o uso de área pública para a realização de um show. Com tantas entidades sérias e respeitadas de Rio Preto prestando relevantes serviços à população, causou estranheza a justificativa de que os recursos arrecadados seriam destinados a uma entidade pouco conhecida e de outro município.
Agora surge uma questão ainda mais grave: a condução da saúde pública. Rio Preto tornou-se referência nacional graças ao trabalho de instituições sólidas e reconhecidas, como a Funfarme/Hospital de Base, a Santa Casa, a Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, entre tantas outras que diariamente prestam atendimento de excelência e sempre foram parceiras do município.
Por isso, causa estranheza a contratação, sem licitação e sem transparência adequada, de uma instituição desconhecida da população local para atuar em área tão sensível. Não se questiona aqui a necessidade de ampliar exames ou melhorar o atendimento. A demanda existe e precisa ser enfrentada. O que se questiona é a forma precipitada, sem debate amplo e sem o devido respeito às instituições que construíram a excelência da saúde rio-pretense.
Respeito profundamente o Conselho Municipal de Saúde e seus conselheiros, mas um tema dessa magnitude não pode ser tratado de forma relâmpago. A sociedade precisa ser ouvida, e as decisões precisam ser transparentes.
Neste momento, a Câmara Municipal deve assumir protagonismo, fiscalizando com independência e defendendo os interesses da população, jamais sendo subserviente ao Executivo.
Rio Preto é maior que qualquer governo. Nossa cidade merece seriedade, competência e respeito. E cabe a todos nós exigir isso em defesa do presente e do futuro de São José do Rio Preto.
Edinho Araújo
Foi prefeito de São José do Rio Preto por 4 vezes, deputado estadual e federal, ministro de Portos e prefeito de Santa Fé do Sul.