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EDITORIAL

Rio Preto mais violenta

Mesmo Rio Preto sendo uma cidade relativamente mais segura quando comparada a muitas metrópoles, a tendência de alta nos homicídios funciona como um alerta de perigo

por Da Redação
Publicação em 31/05/2026
Editorial (Divulgação)
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Dados do mais recente Atlas da Violência, relatório anual produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, trazem informações preocupantes sobre a escalada da violência em Rio Preto.

Segundo o estudo, relativo a 2024, a taxa de homicídios subiu de 11,9 por 100 mil habitantes, em 2023, para 14,4. Ao todo, foram 72 assassinatos, incluindo casos registrados inicialmente como “mortes violentas por causa indeterminada”. O resultado fez a cidade passar da 83ª para a 109ª posição no País.

Rio Preto, por exemplo, apresenta uma taxa pior que a de cidades como São José dos Campos (5,9), Araraquara (6,3), São Bernardo do Campo (7,4), Ribeirão Preto (7,8) e Guarulhos (12), e próxima de São Paulo (15,3). O Atlas leva em consideração apenas as cidades com mais de 100 mil habitantes.

Ao Diário, o presidente do Instituto Brasileiro de Segurança Pública (IBSP), o advogado Azor Lopes da Silva Júnior, destacou que o aumento dos homicídios em Rio Preto não está associado à presença de lideranças do crime organizado, cenário que aflige outras regiões do País. Segundo ele, boa parte dos assassinatos ocorre em disputas localizadas por pontos de tráfico de drogas, conflitos entre pequenos traficantes, brigas entre moradores de rua e crimes de ocasião.

Ainda que a escalada dos homicídios em Rio Preto não decorra da instalação de uma estrutura criminosa organizada e permanente capaz de desafiar o Estado e impor uma rotina de terror à população, não se pode transformar essa constatação em motivo para tranquilidade excessiva. O fato concreto é que mais pessoas estão sendo assassinadas e os números são suficientemente expressivos para justificar preocupação e demandar uma resposta firme do poder público.

Uma das iniciativas anunciadas pelo município, de acordo com o secretário de Segurança Pública de Rio Preto, coronel Márcio Cortez, é a ampliação do videomonitoramento por meio do Smart Rio Preto e a criação de um comitê permanente para discutir políticas de segurança. São ações que, sem dúvida, caminham na direção correta. O desafio, entretanto, é fazer com que produzam resultados perceptíveis no curto prazo.

Embora Rio Preto seja uma cidade relativamente mais segura quando comparada a muitas metrópoles brasileiras, a tendência de alta observada nos indicadores funciona como um alerta de perigo. Problemas de segurança pública se tornam muito mais difíceis de enfrentar quando são tratados apenas depois de se consolidarem.

No fim das contas, não se trata de números, estatísticas ou rankings, mas de vidas inocentes ceifadas pelo crime. E essa escalada precisa ser freada.