NAS ETERNAS ONDAS DO RÁDIO
Ao homenagear Paulo Serra Martins, trago histórias que o tempo não consegue apagar

Quem me conhece mais na intimidade sabe que eu sempre fui e continuo sendo um fanático pelo rádio. Meus pais eram da geração PRB-8, com os irmãos Muanis (Adib, Rubens e Cesar), Alexandre Macedo, Zacarias Fernandes do Valle, Messias Mattos, Preto Velho, entre tantos. Meu avô adorava as encenações de Lisbino Pinto da Costa, um ex-presidiário que gostava de histórias de bar, de bebida e de brigas.
Ele levava para o estúdio garrafa e copos para suas histórias parecerem o mais real possível. Minha mãe era fã de Albertina Batista e seus conselhos, extraídos de livros. Eu acordava com o radinho de pilha, levava para o banheiro, para a mesa do café da manhã, para todo lugar, para não perder meu programa preferido da manhã: “Nova Dimensão”, com Pedro Lopes, pela Rádio Anchieta. Depois seguia para o trabalho ouvindo no rádio Philco do meu primeiro carro, um Ford Corcel 1976, o programa do Cuiabano, depois Roberto Toledo e o Marcelo Gonçalves.
Já no meio da tarde, era obrigatório ouvir na Rádio Independência “A Hora Fantástica”, criado por Adib Muanis, conduzido pelo inesquecível Antônio Carlos Bottas e, posteriormente, por Garcia Neto e Clenira Sarkis. A gente ficava aguardando o “velho xerife” J. Ravache aparecer comentando as notícias policiais, o que já era curioso pelos títulos das matérias: “Beiço mole versus magrela”, referindo-se a uma colisão de uma charrete, puxada por cavalo, com uma bicicleta. Que figura!
Quando voltava do trabalho, já ligava o rádio para ouvir “A Hora do Motorista”, com Araújo Neto, também pela Rádio Independência. À noite começava com o impagável repórter policial Gil Gomes, pela Rádio Globo. Ele sofria de gagueira, e para superá-la tentava imitar os locutores esportivos que ouvia pelo rádio. Tornou-se uma lenda.
Mais tarde, também na Rádio Globo ouvia “A Turma da Maré Mansa”, programa humorístico apresentado por Antônio Luiz. Que delícia! E pra fechar, é claro, o impagável “Dono da Noite”, Roberto Souza, na Independência: “Por favor, não me peçam Lobão”, esbravejava quando alguém ligava de gozação na rádio para pedir música do roqueiro Lobão. Ali era só Nelson Gonçalves, Silvio Caldas e Orlando Silva, entre tantos.
Já no domingo, a gente aguardava com muita expectativa o início do programa “Plantão Esportivo”, com o meu amigo José Luís Rey. Que saudade! Só desligava o rádio depois da resenha de Mário Luiz, o “comentarista que sabe o que diz”, e os comentários finais de Hitler Fett. Barbaridade.
Pra fechar, dedico nossa coluna ao querido Paulo Serra Martins, que acabou de nos deixar.