Diário da Região
RIO PRETO EM FOCO

GRANDES FIGURAS DO NOSSO CARNAVAL

Coluna relembra o início da folia em Rio Preto e destaca grandes personagens, como Charutinho, Nelson Batata e Michelin

por Fernando Marques
Publicado há 4 horas
Zé Negrinho, Aristides dos Santos e o Bloco Cruzeiro do Sul, em 1943 (Fotos: Rio Preto em Foco)
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Zé Negrinho, Aristides dos Santos e o Bloco Cruzeiro do Sul, em 1943 (Fotos: Rio Preto em Foco)
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Um dos primeiros carnavais de rua de Rio Preto aconteceu em 1917, na rua Bernardino de Campos. Eram desfiles de carros alegóricos, puxados por bois. Até o início do século 20, a comemoração do Carnaval em Rio Preto ainda era tímida, sem estrutura e pouco apoio do governo municipal.

A partir da década de 1920, com a inauguração da sede do primeiro Grupo Escolar de Rio Preto, o Cardeal Leme, na Praça Rio Branco (onde hoje é o Fórum), os carnavais da cidade passaram a acontecer nessa região.

O Automóvel Clube, fundado em 1920, só inaugurou sua sede própria, na esquina da rua Voluntários de São Paulo coma a rua Silva Jardim, no réveillon de 1925. O carnaval também aconteceu na sede de outros clubes que já existiam nessa época, como o Rio Preto Esporte Clube (fundado em 1919); o Club Dançante 7 de Setembro (fundado em 1920); o Centro Operário de Rio Preto (fundado em 1922); Sociedade Jovens Syrios (fundado em 1922); e a Sociedade Homens de Côr - União faz a Força (fundada em 1923).

Na década de 1930, foi fundado um dos primeiros blocos, o “Cruzeiro do Sul”, liderado por Zé Negrinho. Nas décadas seguintes surgiram as primeiras escolas de samba. Na década de 1950 e 60 aconteceram grandes carnavais. O desfile acontecia na rua Bernardino de Campos e era filmado pela Cometa Filmes. A companhia ainda dava um giro pelos clubes da cidade e o documentário passava antes das sessões dos cinemas. A rua era invadida pelos foliões, blocos e escolas de samba, que se misturavam na folia. Era a época do confete, serpentina e muita bisnaga de água, que era jogada incessantemente nos participantes do desfile.

A rádio PRB-8 transmitia ao vivo o desfile de cima de um palanque montado na Praça Rio Branco, de frente para o Colégio Cardeal Leme, onde hoje é o Fórum. Os radialistas Adib Muanis, Rubens Muniz e Alexandre Macedo percorriam os clubes. Lá, o Lança Perfume Rodoro corria solta. Aziz Chediac, o Michelin, era o rei momo.

Grandes figuras surgiram no nosso carnaval, como os inesquecíveis “Martha Rocha” e “Charutinho”. Martha Rocha era um senhor de bigode, que se fantasiava de mulher e rebolava, batendo um pandeiro com a mão. Um sucesso inesquecível. Já Charutinho, líder da Escola de Samba Céu Azul, era um show à parte. Outros grandes foram o Renê Fernandes, que foi eleito o folião do século do Automóvel Clube, Nelson Batata e sua inesquecível escola, Mestre Boca e suas baterias, Álvaro das Maracas e suas grandes orquestras no Carnaval do Palestra, nas décadas de 1970 e 80, e Celso Caran, um dos que mais lutaram pelo nosso carnaval.