DIA DE VACINAÇÃO EM RIO PRETO
Doutor Aristides Serpa promoveu ampla campanha em 1910 para tentar combater e controlar e epidemia de varíola na cidade

No início da fundação da cidade, em 1852, até a virada do século 19, poucos médicos se atreveriam atravessar o sertão, em carro de boi, e fixar-se por aqui. A cura, geralmente, era exercida através de plantas medicinais, que eram passadas pelos antepassados, benzimentos e rezas.
O historiador e professor Agostinho Brandi escreveu mais de 20 páginas a respeito no seu imprescindível livro “São José do Rio Preto 1894 – 1907. O Ciclo dos Intendentes e a Criação da Comarca”. Lá ele narra com muita precisão o heroísmo de várias gerações desses profissionais da saúde que escreveram seu nome na nossa história.
No início, foram instaladas algumas farmácias na cidade, como a “Pharmácia Popular”, na esquina das atuais ruas Tiradentes e Bernardino de Campos, onde é hoje o prédio da antiga Livraria Cal. Era de propriedade de Benedicto Tavares da Silva Lisboa. Posteriormente, ali, funcionou por muitos anos a Pharmácia Dória.
A segunda foi em 1895, a “Rio Preto Pharmacia”, de Porfírio de Alcântara Pimentel. As farmácias eram naquela época verdadeiros centros médicos e Porfírio, inclusive, executou a primeira vacinação local, em 1897, aplicada a céu aberto, em frente à Praça São José, bem na entrada da antiga Catedral de São José.
Somente em 1903, chega a Rio Preto o primeiro médico-operador, o italiano Fileno Faggiani, diplomado pela Academia de Nápoles. O segundo foi o Dr. Manoel Martins Pilar, clinicando alguns meses em fins de 1906. O terceiro foi o Dr. Aristides Serpa, chegando aqui em 1907, vindo de Ribeirão Preto. Ele foi nomeado Inspetor do Posto de Saúde e Higiene e executou a segunda grande vacinação na cidade.
Segundo o Dicionário Rio-pretense, ele fez ampla campanha em 1910 para tentar combater e controlar e epidemia de varíola na cidade. Em junho de 1912, é fundada Santa Casa de Misericórdia de Rio Preto, funcionando na rua Pedro Amaral, mas que fechou as portas em 1915, por falta de recursos. Em 1918, ela voltou a funcionar devido a epidemia gripe espanhola na cidade. Já nas próximas décadas muitos médicos se estabeleceram na cidade.
A vacinação era exercida pela Prefeitura. No início da década de 1960, a poliomielite chamou a atenção da opinião pública no país, quando epidemias cresceram de proporção e se espalharam por diversas cidades brasileiras. Rio Preto foi uma delas.
As atividades de imunização em massa foram iniciadas em 1961, com a adoção da vacina Sabin. Vários postos de vacinação foram criados na cidade. O fotógrafo Jaime Colagiovanni colheu imagens da campanha de vacinação contra a paralisia infantil.