RIO PRETO EM FOCO

BELEZAS PRIMITIVAS

Fotografias antigas resgatam memórias, personagens e cenários que ajudam a contar a história de Rio Preto além das palavras. Registros do passado revelam transformações urbanas e culturais, conectando gerações por meio de lembranças preservadas em imagens. Na coluna de hoje, apresentamos alguns exemplos

por Fernando Marques
Publicado há 1 hora
Vista aérea em 1939 (Arquivo Púlico)
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Vista aérea em 1939 (Arquivo Púlico)
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Fotos do passado mexem com a nossa sensibilidade. Elas nos remetem a um tempo que não volta mais. Até a década de 1980, a fotografia ainda era o cartão postal oficial da cidade e muitos fotógrafos viviam de sua arte de clicar a arquitetura e o modus operandi de seus moradores.

As primeiras fotos da cidade foram feitas por um fotógrafo da capital São Paulo, mas ninguém sabe precisar as datas das fotos. Alguns dizem que são de 1907, e outros por volta de 1909. Não sabemos o nome do fotógrafo e nem o paradeiro dos negativos ou dos originais.

Algumas apareceram, pela primeira vez, no “Álbum de Rio Preto – 1918-1919”, escrito pelo advogado Fernando Oiticica da Rocha Lins, e organizado pelo dentista Raul Silva. O livro foi impresso na “Secção de Obras de O Estado de São Paulo”.

Em 2010, o importante livro recebeu uma reedição, pela THS Editora, em comemoração de 158º anos de fundação da cidade, e 7º aniversário de fundação do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de São José do Rio Preto. São duas panorâmicas da cidade, feitas de cima da futura Vila Maceno e outra que conseguimos identificar o prédio da Cadeia, na rua Prudente de Moraes e da primitiva Igreja Matriz.

Outra fotografia que considero incrível, do início da 1930, tirada provavelmente de cima da Igreja Matriz, pelo craque da fotográfica Otto Wiermann, mostra a praça Rui Barbosa em evidência, as ruas Bernardino de Campos, Voluntários de São Paulo e Jorge Tibiriçá.

Lá em cima o “suntuoso” prédio do Colégio Cardeal Leme, na rua Marechal Deodoro, entre Voluntários e Bernardino, onde hoje é o Fórum. Que maravilha!

Outras duas bem conhecidas da década de 1930, mais precisamente de 1939, mostram a cidade em dois ângulos. A primeira mostra a cidade do bairro da Boa Vista para o Centro, até o Cemitério da Ressureição, na Vila Ercília. A outra mostra da Vila Maceno para o Centro, com a Igreja Matriz em evidência.

Para fechar, destaco duas fotos sensacionais, de cair o queixo. A primeira, mostra a praça Dom José Marcondes e a rua Voluntários de São Paulo, a belíssima igreja Matriz de São José, a praça São José (que ficava ao lado da igreja e, ao fundo o primeiro prédio da cidade, o edifício Caramuru, na rua Jorge Tibiriçá, de frente para a praça Rui Barbosa.

A outra, de 1962, é uma foto noturna de arrepiar, mostrando a cidade em época de natal, com a luzes de Natal na Igreja Matriz e na rua Bernardino de Campos. A foto foi tirada pelo Multifoto. Nessa época a cidade recebeu o título de “Cidade Presépio”. Realmente, a cidade era mais bonita nessa época. Podiam ter preservado nosso Centro velho, não é?