Diário da Região
RIO PRETO EM FOCO

As relíquias de Vaelson Ferraz

Sua verdadeira paixão era contar causos, histórias e memórias da cidade de São José do Rio preto, que aprendeu a amar

por Fernando Marques
Publicado há 1 hora
Nazir Bechara Hage, Maluf e Sylvio Benito Martini, na Eletrolux (Fotos: Acervo Vaelson Ferraz)
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Nazir Bechara Hage, Maluf e Sylvio Benito Martini, na Eletrolux (Fotos: Acervo Vaelson Ferraz)
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Rio Preto teve e ainda tem grandes historiadores em toda sua história. Para não deixar gente importante de fora, perguntei (como sempre), ao colega e amigo Lelé Arantes. Juntos, lembramos de muitos, como Raul Silva (não escreveu, mas foi o idealizador do Álbum de Rio Preto, em 1918). O texto foi escrito pelo advogado alagoano Fernando Oiticica da Rocha Lins; Abilio Cavalheiro, redator do Álbum Illustrado da Comarca, de 1929; os irmãos Dinorath e Roberto do Valle, autores de vários livros sobre nossa história, Nilce Lodi, presidente do Comdephact por mais de 20 anos; e é claro, Lelé Arantes e Agostinho Brandi, que dispensam apresentação e ainda estão aí produzindo muita história.

E também grandes memorialistas, como Antônio Tavares de Almeida, autor do livro “O Oeste Paulista, de 1943; Basileu Toledo França, autor de “Três Instantes de Rio Preto”, de 1949; Castro Paes, que escreveu o livro “A Grande São José do Rio Preto”, de 1967; Leonardo Gomes, autor de “Gente que Ajudou a Fazer uma Grande Cidade-Rio Preto”, de 1975; Oswaldo Tonello, autor de “Memórias de São José do Rio Preto”, de 1998, José Luís Rey, Cecília Demian, Sônia Lopes (que produziu uma série de entrevistas no Comdephact), e os bam-bam-bans do esporte, Rui Guimarães, Edwellington Villa e Celso Correia Moreira, o popular Galo, entre tantos.

Mas, um dos mais apaixonados que conheci foi Vaelson Taveira Ferraz. Ele colecionava tudo sobre a cidade. Nascido em Altair, em 1949, Vaelson veio para Rio Preto com 5 anos de idade, em 1953. Trabalhou até se aposentar no Instituto Penal Agrícola (IPA) de Rio Preto, mas sua verdadeira paixão era contar causos, histórias e memórias da cidade que aprendeu a amar. Gostava de lembrar da sua infância, numa cidade ainda sem asfalto, com água de poço, fogão à lenha e lamparina, e sua caixa de engraxate, seu primeiro trabalho, debaixo das árvores circundadas de bancos, em frente a nossa saudosa Catedral São José. E viveu de tudo.

Posteriormente, começou a colecionar fotos, documentos, revistas, flâmulas, selos, cartões postais e objetos da história da cidade e não parou mais. “Em 1991, trabalhando como agente penitenciário no IPA, consegui salvar 45 mil títulos eleitores (2ª via) que iam ser inutilizados”, diz Vaelson, em entrevista para o programa “Documento Rio Preto”, da TV Câmara.

Agora, esse importante acervo estará disponibilizado à população no “Memorial Vaelson Taveira Ferraz”, no Arquivo Público Alberto Olivieri Filho, da Câmara Municipal de Rio Preto. Vaelson nos deixou há alguns anos, mas seu legado jamais será esquecido.