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ARTIGO

Quem tem medo de investigação?

Este governo parece profundamente incomodado com qualquer mecanismo de controle

por João Paulo Rillo
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
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O artigo do prefeito Fábio Candido, publicado no último domingo, é menos um chamado ao “equilíbrio” e mais uma tentativa desesperada de desmoralizar a fiscalização pública. Ao chamar denúncias, investigações, CPIs e cobranças públicas de “balbúrdia”, o prefeito municipal evidencia que não quer fiscalização, quer silêncio, quer uma Câmara ajoelhada, instituições amedrontadas e uma população treinada para aceitar escândalos sem reação.

Rio Preto não vive uma crise criada artificialmente pela oposição. Vive permanentemente uma crise produzida por um governo cercado de suspeitas graves, contratos questionáveis, dispensas milionárias de licitação, relações patrimoniais obscuras e uma sucessão de fatos que seriam escandalosos em qualquer democracia minimamente saudável.

O prefeito tenta inverter a lógica dos fatos. Quer transformar quem fiscaliza em inimigo da cidade. Quer fazer parecer que o problema está nas denúncias e não nos indícios que as motivam. Nenhuma CPI nasce do nada, nenhuma investigação surge por capricho, caro coronel. O que existe hoje em Rio Preto é um acúmulo tão grande de episódios suspeitos que a omissão passou a ser cumplicidade.

É ofensivo ouvir um discurso contra “radicalismo” vindo de um governo cuja sustentação política depende justamente do sufocamento institucional das investigações. Sempre que surge um fato grave, a máquina entra em operação, blindagem política, ataques à oposição, desqualificação moral dos críticos e tentativas de transformar fiscalização em perseguição eleitoral.

Mais grave ainda é a tentativa de reduzir toda crítica a uma conspiração “da esquerda”. Essa narrativa enfadonha é intelectualmente desonesta e politicamente covarde. Corrupção, favorecimento, irregularidades contratuais e suspeitas patrimoniais não têm ideologia. Escrituras não têm ideologia. Dispensas de licitação não têm ideologia. O que existe são fatos, e fatos exigem explicações.

Quem não deve não teme investigação séria. O problema é que este governo parece profundamente incomodado com qualquer mecanismo de controle. Age como se governar lhe concedesse imunidade moral. Como se ter sido eleito autorizasse escapar do escrutínio público. Não autoriza.

Mandato não é salvo-conduto. Não transforma ninguém em intocável. Muito menos quando a cidade presencia, quase diariamente, novos episódios que desgastam a credibilidade da administração pública.

Rio Preto não está cansada de oposição, senhor prefeito. Está cansada de arrogância, de propaganda vazia e de um governo que responde a denúncias políticas com vitimização, de um governo sob suspeita, que precariza serviços públicos, persegue servidores, um governo despreparado, atrapalhado, sem nenhum cuidado com a coisa pública. É disso que estamos cansados.

João Paulo Rillo

Vereador (PT).