Prevenção, preparação e resposta rápida ao calor
O ar-condicionado será imprescindível para se evitar mortes prematuras

Em julho, o serviço Copernicus da União Europeia registrou a temperatura média global do ar de 16,90ºC, 0,67ºC acima da média 1991-2020; foi o segundo julho mais quente, empatado com julho de 2024. Os climatologistas projetam que 2026 deverá superar 2024 como o ano mais quente. O aquecimento global acelerado provocado pelos gases de efeito estufa, o El Niño intenso e os bloqueios atmosféricos são os fatores determinantes das temíveis ondas de calor.
Na Europa, desde maio, o calor está acima do normal, os incêndios florestais queimaram mais de 500 mil hectares, perdura uma estiagem prolongada e houve novos recordes de temperatura, como 38ºC no Reino Unido, segundo o Met Office.
O sistema EuroMOMO monitora semanalmente o excesso de mortes relacionadas com infecções, fenômenos meteorológicos extremos e outras ameaças à saúde pública; 16.000 pessoas morreram prematuramente na Europa em virtude do calor extremo.
A prevenção, preparação e resposta rápida integram a base da gestão de riscos e desastres. A prevenção evita incidentes, a preparação treina equipes e monta planos, e a resposta rápida age durante o evento. O método é empregado em defesa civil, segurança do trabalho, desastres ambientais e saúde pública; simplificadamente é conhecido como P2R2.
São José do Rio Preto é uma das cidades mais quentes do Estado de São Paulo, com temperatura média anual de 25ºC. A mais intensa onda de calor ocorreu em 24, 25 e 26 de setembro de 2023, com temperaturas máximas acima de 40,0ºC, média das máximas de 41,2ºC; em 25/09/2023, recorde de temperatura máxima, 41,9ºC. Em 27/09/2023, a mais elevada temperatura mínima, 28,9ºC. A temperatura mínima ocorre instantes antes dos primeiros raios solares, entre 6h e 7h, sendo um fator importante para o resfriamento natural. Quanto mais elevada a temperatura mínima, maior a dificuldade das pessoas perderem calor e se resfriarem.
O verão no hemisfério norte e o El Niño indicam que teremos muito calor entre setembro e outubro próximos. Urge prevenirmos, evitarmos esforços pesados ao ar livre, intensificarmos a hidratação, mas sobretudo permanecermos em ambientes refrigerados. Na Europa, onde não é comum o ar-condicionado nas residências, houve 16.000 mortes prematuras em virtude do calor extremo.
Em Rio Preto, o ar-condicionado disseminou-se. Mas há 30.000 pessoas que vivem nos loteamentos periféricos, com muita poeira e pouco conforto térmico. Também há os idosos nos abrigos, casas de repouso e os reeducandos do sistema penitenciário. O ar refrigerado, durante uma onda de calor extremo, será imprescindível para se evitar mortes prematuras pelo estresse térmico.
José Mário Ferreira de Andrade
Engenheiro civil e sanitarista.