ARTIGO

Presente de grego ao cidadão rio-pretense

O presente de grego foi precedido de um boleto assustador na alta abusiva do IPTU

por Julio Cesar da Silva Bortolus
Publicado em 21/08/2026 às 18:30Atualizado em 21/08/2026 às 18:32
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O morador de Rio Preto, nos próximos meses, irá acordar com uma novidade reluzente na cidade. Não será nenhuma nova obra de arte ou melhorias nos postos de saúde, mas o imponente e moderno sistema de monitoramento, o tão divulgado pela gestão atual, chamado de smart city. Lentes reluzentes, telas de alta definição e a promessa burocrática de que a "modernidade finalmente chegará à nossa querida Rio Preto". Um espetáculo visual de encher os olhos, reconhecendo o cidadão do bem ou não!

Entretanto, a exemplo dos troianos da antiguidade, o cidadão rio-pretense arrisca celebrar o presente sem perceber a armadilha oculta sob a engrenagem desse Cavalo de Tróia tecnológico — assinado entre pompas e contratos de eficiência duvidosa.

O presente de grego, antes mesmo do fato acontecer, foi precedido de um boleto assustador na alta abusiva do IPTU, injustificado, mais um pesado golpe no bolso de quem já mal consegue equilibrar as contas do mês.

Mas as distrações do colosso continuarão a piscar suas luzes. "Olhem a melhoria na segurança!", diz o discurso oficial, porém a realidade nas laterais do antigo Palestra mostra o spa 24 horas de zumbis do tráfico, que impede investimento da iniciativa privada diante do Ulisses, gestor público deslumbrado em sua Odisseia.

Enquanto a população irá olhar para as câmeras na esperança de proteção, as verdadeiras intenções da gestão colocam a cidade às sombras. Como acordos duvidosos com a Santa Casa de Casa Branca, estacionamentos de favores, estátuas de ilusões e outros “ficam às escuras”, diante de manobras nebulosas com apoio nos interesses de alguns vereadores.

O tal sistema de monitoramento na sua ficção aparenta a proteção no seu papel, mas isolado é ineficaz no seu escopo amplo e real, visto que apenas câmeras em locais pontuais poderão aparentar segurança. Porém, o recurso é incompleto diante de uma cidade abandonada na sensação de insegurança com furto de fios nos bairros, criando apenas meio de identificar criminosos, mas ineficaz na impossibilidade de ele retornar.

Para completar a Odisseia, a trupe de secretários, que apoiou milícias digitais, agora faz rolezinho no centro abandonado na calada da noite, tachando cidadãos como criminosos, mas omitem o real “The Walking Dead” da cidade, principal centro comercial que já foi orgulho de nossa Rio Preto.

Em algumas cidades, o smart city já é um Cavalo de Tróia contemporâneo, com sua grande estrutura no único objetivo: fascinar o cidadão para que ninguém perceba a gritante incompetência dos gestores municipais. Cidadãos, fiquem atentos, pois, enquanto contemplamos as luzes do brinquedo caro, a má gestão ainda desperdiça o orçamento, rouba a dignidade das crianças sem uniforme e entrega a saúde pública a interesses distantes.

Tróia caiu pela ingenuidade de acreditar em presentes pomposos. Resta saber até quando o contribuinte vai continuar aplaudindo o cavalo de madeira enquanto sua própria casa é levada na enxurrada de boletos e descaso.

Julio Cesar da Silva Bortolus

Empresário