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Prefeito: como arrumar a casa

Rio Preto precisa de humildade, diálogo e gestão para sair da paralisia

por Jean Dornelas
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
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São José do Rio Preto vive uma crise política e administrativa grave. Digo isso com respeito e com a responsabilidade de quem tem 30 anos de vida pública.

Criticar é fácil. A cidade precisa de caminho. Por isso, faço uma contribuição pública.

O primeiro passo é reconhecer os erros. Governo que não revê rota repete queda. É preciso entender onde houve falha de articulação, prioridade, comunicação e condução política. Sem diagnóstico, qualquer correção vira remendo.

Depois, é preciso reabrir diálogo com a sociedade organizada. Entidades empresariais, sindicatos, servidores, igrejas, associações de bairro e instituições sociais precisam ser ouvidos. Cidade grande não se governa em sala fechada.

Quem ignora a cidade real perde a capacidade de decidir com justiça.

O secretariado precisa ser avaliado por resultado. Quem entrega deve permanecer. Quem não entrega precisa abrir espaço. Amizade não pode pesar mais que a cidade.

O prefeito deve formar um núcleo de gestão com técnicos, servidores de carreira, ex-secretários e lideranças com vivência. Crise se enfrenta com gente preparada.

Também é preciso reconstruir a relação com deputados que já ajudaram Rio Preto, destinaram emendas ou têm vínculo com a cidade. Rio Preto é maior que disputa pessoal.

A reforma administrativa precisa sair do discurso. Cargos, secretarias, empresas públicas e fluxos de decisão devem passar por revisão real. Quando a máquina falha, o cidadão paga na saúde, no asfalto e na educação.

A Câmara deve ser tratada como parte da solução. Vereadores estão nos bairros, nas igrejas, no comércio e nas ruas. Ignorar a Câmara é ignorar uma parte viva da população.

As promessas de campanha também precisam voltar à mesa. O que foi cumprido deve ser mostrado. O que ficou para trás deve ser explicado. O eleitor merece transparência.

Por fim, é urgente pacificar as relações políticas e acertar a comunicação. O governo precisa antecipar debates, explicar projetos antes de enviá-los e colocar secretários para responder com clareza.

Rio Preto já vinha em ritmo lento. Agora, a cidade parece travada. Uma cidade como a nossa não nasceu para ficar na lanterna do desenvolvimento.

Governar exige firmeza. Mas, antes de tudo, exige ouvir, corrigir e agir.

Jean Dornelas

Vereador, advogado e ex-diretor do Procon.