Por que serviços também são infraestrutura de desenvolvimento

Há indicadores que não apenas descrevem uma realidade econômica, mas ajudam a revelar a identidade produtiva de uma cidade. Quando um levantamento do Centro de Estudos Econômicos da Acirp aponta que o setor de Serviços reúne 79.361 trabalhadores formais em Rio Preto, o equivalente a 50,2% de todos os empregos com carteira assinada do município, estamos diante de um dado que vai além da estatística. Ele mostra onde pulsa, diariamente, uma parte decisiva da nossa economia.
Durante muito tempo, os serviços foram tratados de maneira genérica, quase como uma categoria ampla demais para explicar, com precisão, sua real importância. Essa leitura, no entanto, já não dá conta da complexidade econômica de cidades consolidadas como Rio Preto. Serviços não significam apenas atendimento ao consumidor, atividades operacionais ou apoio ao comércio. Estamos falando de saúde, educação, tecnologia, logística, consultorias, comunicação, atividades técnicas, profissionais liberais, turismo, alimentação, transporte, gestão, inovação e tantas outras frentes que formam a base da economia urbana contemporânea.
Rio Preto se consolidou como polo regional justamente porque desenvolveu uma rede ampla de atendimento, suporte e especialização para uma população que extrapola os limites do município. A cidade não atende apenas seus moradores; recebe diariamente demandas de dezenas de municípios do entorno, seja na saúde, na educação, no consumo, nos serviços especializados ou nas atividades empresariais. Essa centralidade ajuda a explicar por que o setor não é apenas numericamente expressivo, mas estrutural para a dinâmica econômica local.
O dado sobre remuneração reforça essa leitura. Segundo informações da Seade/RAIS de 2021, mencionadas no levantamento do Centro de Estudos Econômicos da Acirp, Serviços registrava a maior média salarial entre os grandes setores econômicos de Rio Preto, com R$ 3.584,00. Essa liderança não ocorre por acaso. Ela sinaliza a presença de atividades com maior exigência técnica, maior valor agregado e maior capacidade de absorver profissionais qualificados.
Desenvolvimento econômico não pode ser medido apenas pela quantidade de vagas geradas. Emprego é fundamental, mas a qualidade do posto de trabalho também importa. Remuneração, estabilidade, qualificação exigida, produtividade e perspectiva de crescimento profissional são elementos que definem a robustez de uma economia. Quando o segmento que mais emprega também aparece entre os que melhor remuneram, a cidade recebe um sinal importante sobre onde estão parte de suas vantagens competitivas e de seus desafios estratégicos.
A força dos serviços se espalha por toda a cadeia econômica. Um hospital de referência movimenta profissionais da saúde, fornecedores, alimentação, hospedagem, transporte, tecnologia e manutenção. Uma escola ou universidade atrai famílias, gera consumo, forma mão de obra e impulsiona inovação. Uma empresa de tecnologia qualifica empregos, demanda infraestrutura digital e conecta Rio Preto a mercados que não dependem apenas da geografia. Somadas, essas atividades formam um ecossistema de renda, consumo, arrecadação e competitividade.
Na Acirp, esse entendimento se materializa também no trabalho desenvolvido pelos Núcleos Setoriais, que congregam grupos ligados a diferentes atividades econômicas, muitas delas diretamente relacionadas ao setor de Serviços. São empresários e profissionais de áreas como educação, gestão de pessoas, saúde e outros segmentos que se reúnem para trocar experiências, compartilhar boas práticas, discutir desafios comuns e construir soluções coletivas.
Fortalecer esse ambiente, portanto, significa ampliar a capacidade de Rio Preto crescer com consistência. Não se trata de escolher um setor em detrimento dos demais. Comércio, indústria e agronegócio seguem indispensáveis e se conectam de maneira permanente ao setor terciário. Em todos esses casos, os serviços aparecem como uma camada estratégica de produtividade.
A economia de Rio Preto não se explica por um único setor, mas é inegável que os serviços ocupam hoje uma posição decisiva nessa engrenagem.
Nelson Neves
Diretor de Núcleos Setoriais da Acirp