Petróleo, inflação e guerras

Vivemos um momento de novos confrontos militares no Oriente Médio, com impactos generalizados para toda a economia internacional, afinal esta região é responsável pelo fornecimento do produto mais importante no capitalismo global. Neste cenário, o preço do petróleo aumentou vertiginosamente, saindo de US$ 60,00 por barril no começo do conflito e os valores aumentaram, rapidamente, alcançando mais de US$ 100,00 o barril, impactando para todas as regiões, gerando calafrios para os setores produtivos, pressionando o sistema financeiro internacional, impactando os preços e pressionando a inflação global, levando as Autoridades Monetárias a aumentarem as taxas de juros, com graves repercussões nos investimentos produtivos, nos empregos e na renda agregada.
A sociedade global vive momentos de grandes incertezas e grandes instabilidades, gerando riscos crescentes que afugentam os investimentos produtivos, reduzindo a geração de empregos e criando um ambiente de baixo crescimento econômico, levando os governos a adotarem políticas públicas para reduzirem os efeitos colaterais da economia, levando-os a reduzir os impostos e aumentando os subsídios, vislumbrando a redução dos problemas internos, mas ao mesmo tempo, os indicadores fiscais pioram sensivelmente.
O petróleo tem grande relevância na economia internacional, este produto movimenta todo o sistema produtivo, as guerras em curso no Oriente Médio geram impactos para todas as regiões do mundo e forçam os governos nacionais a reduzirem as perdas internas, incorrendo em gastos crescentes, reduzindo os repasses internos, forçando a economia a adotar taxas de juros mais elevadas que restringem o potencial da economia.
No caso brasileiro, percebemos uma espiral de grandes impactos diretos e indiretos, como temos uma das taxas de juros mais elevadas da economia internacional, o cenário de conflitos militares deve adiar a redução dos juros internos, postergando uma esperada melhora dos indicadores fiscais, visto, por muitos especialistas em contas públicas, como um dos maiores problemas da economia nacional.
As taxas de juros elevadas podem travar os investimentos produtivos e postergar o crescimento econômico, fazendo com que os rentistas tenham retornos elevados, no caso brasileiro, uma sociedade marcada por grandes desigualdades sociais, baixa poupança interna e com grandes carências na infraestrutura.
A guerra no Oriente Médio aprofunda as instabilidades econômicas e as incertezas políticas e impacta todas as nações, prejudicando os consumidores, reduzindo a renda agregada e encarecendo os setores produtivos. Os especialistas em geopolítica da região não sabem precisar quanto tempo esse conflito vai demorar, o que dizem, claramente, é que o Estados Unidos esperava um confronto rápido, destrutivo e cirúrgico, com a destituição do governo iraniano e, em seu lugar, seria colocado um apaniguado, um fantoche para se submeter aos interesses dos norte-americanos e israelenses.
Parece que as previsões não foram confirmadas, o fechamento do Estreito de Ormuz pelas forças de Irã, tende a gerar graves constrangimentos econômicos e políticos para toda a economia internacional, ainda mais, devemos destacar a estratégia de atacar as bases dos EUA em países aliados na região, mostrando fragilidade na defesa e na incapacidade de proteger seus “protetorados”, gerando constrangimentos e pressões crescentes para a interrupção da guerra.
Vivemos momentos preocupantes na comunidade internacional, as guerras acabam com a racionalidade das nações e seus governantes e mostram que mesmo sendo detentores de grandes tecnologias, as decisões são tomadas olhando apenas interesses imediatos, irracionais e estimulados pelos ganhos econômicos.
Ary Ramos da Silva Júnior
Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.