Olhar para o eterno
Fotógrafo desde 1964, Jorge Maluf registrou mais de cinco mil casamentos e importantes fatos jornalísticos de Rio Preto

Na bucólica Monte Aprazível da década de 1940, Jorge Maluf efetuou os primeiros passos, cresceu e viveu a infância. Com liberdade de sobra, brincou nos quintais, jogou bola na rua, nadou em córrego e andou pelas matas com os amigos.
Neto de libaneses e italianos, convivia com uma numerosa e unida família, que se reunia com frequência em volta da mesa farta para comer, saber das novidades e conversar. Quando tinha 12 anos, instalou-se na Boa Vista, em Rio Preto.
O pai trabalhava como funcionário público da saúde e pediu transferência à cidade com um objetivo nobre: proporcionar aos filhos a chance de estudar e de construir as próprias histórias de maneira diferente.
Assim que chegou, Jorge Maluf conheceu a rotina ao ingressar na nova escola e encontrar a labuta. Começou a trabalhar como aprendiz no laboratório de próteses dentárias de Antônio Abe, na Siqueira Campos, Centro.
Seu interesse, no entanto, acabou capturado por uma arte. Do outro lado da rua, funcionava o Foto Studio de Nestor Brandão e Miguel Cortez. E, nas proximidades, ficava o Multifoto, onde trabalhava o fotógrafo Mohamed Kharfan.
Empolgado com o ofício, não demorou para Jorge Maluf se aproximar dos profissionais e conseguir uma oportunidade com Brandão. Com ele, aprendeu técnicas de fotografia, manejo dos equipamentos e processo de revelação.
O jovem se apaixonou pela profissão com rapidez e se dedicou com empenho para absorver as informações, ensinamentos e segredos da área.
No dia 17 de outubro de 1964, Jorge Maluf, com apenas 14 anos, fez o primeiro trabalho sozinho ao fotografar o aniversário de 17 anos de Maria Inês Fernandez. Gostou da experiência e não parou mais. Encontrou um lugar no mundo.
A partir de então, descobriu o próprio estilo e se tornou fotógrafo, tanto para registro de casamentos, festas e formaturas como de eventos sociais, congressos médicos e fatos jornalísticos.
Três anos depois de começar, Jorge Maluf virou sócio de Brandão e Cortez. Eles compraram o Foto Brasil, na Coronel Spínola de Castro, e o transformaram em revenda de material fotográfico no Interior paulista.
Posteriormente, Jorge adquiriu a parte dos sócios. A loja funcionou até 2016, em outros endereços e com focos variados, e passou por importantes fases, como a mudança de analógico a digital.
Sempre circulou pelo município com uma câmera à disposição no carro. Hoje o aparelho celular cumpre a mesma função. Se topa com um acontecimento, registra a imagem e a envia aos jornais. Colaborou com vários.
Entre seus momentos marcantes, registrou a primeira formatura da Faculdade de Medicina (1973), uma procissão da antiga Catedral de São José (1966) e a implosão das torres Espanha e Portugal (1997), além de campeonatos de diversas modalidades e uma das vindas de Pelé a Rio Preto. Trabalha atualmente com apoio de sua equipe.
Na celebração dos 60 anos de carreira em 2024, Jorge Maluf lançou um livro e contou com Maria Inês Fernandez, a primeira pessoa que fotografou, como convidada especial. Sente gratidão pelo que construiu no pessoal e na vida profissional.
Mais de 5.000 casamentos

Durante 30 anos seguidos, Jorge Maluf fotografou pelo menos dois casamentos por semana. Assim, participou de mais de 5.000 cerimônias, o que lhe proporcionou diversas experiências e vivências curiosas.
Um deles ocorreu às 6h, na antiga Catedral. Estranhou o horário, mas aceitou a missão. Na igreja, encontrou apenas os noivos, os pais e dois casais de padrinhos.
E descobriu que a mãe da noiva não aceitava a união da filha com um professor universitário de Brasília. Assim, estabeleceu como condição uma cerimônia esvaziada. Mais tarde, visitou a capital federal, conheceu o trabalho do genro e tudo ficou bem.
Em outra oportunidade, uma noiva usou um vestido vermelho, em uma cidade vizinha. Quando a porta da paróquia abriu, os presentes se surpreenderam, inclusive o noivo. A notícia se espalhou rapidamente e despertou a curiosidade da população.
Certa vez, um enlace foi cancelado perto do horário marcado. Jorge Maluf já se encontrava presente para registrar as imagens. Diante da negativa, ele, ao lado de alguns convidados, dirigiu-se ao salão da recepção e aproveitou o churrasco e o chope.
Ao longo da carreira, fotografou várias gerações da mesma família, com registro de momentos como casamento, nascimento dos filhos, festa de 15 anos e chegada dos netos. Tem clientes da vida toda.
Também registrou dois velórios, na área rural, com o mesmo profissionalismo.
Perfil
Jorge Maluf Filho
Como é conhecido: Jorge Maluf
Atuação: Fotógrafo
Nascimento: Monte Aprazível
Data: 2 de dezembro de 1949
Pais: Jorge Maluf e Mariana Cândida Maluf
Irmãos: Miguel, Maria Amélia e Carlos (in memoriam)
Carlos Alberto Maluf, também fotógrafo, morreu em um acidente de carro, na BR-153, aos 28 anos. Seu nome batiza a sala de imprensa da Câmara de Rio Preto
Imprensa: Teve trabalhos publicados em jornais como Folha de Rio Preto, Dia e Noite, A Notícia, Diário da Região, Bom Dia, DHoje, The Journal e Correio da Araraquarense
Associação: Fundador e presidente da Associação dos Fotógrafos e Cinegrafistas de São José do Rio Preto (Afocirp) desde 6 de outubro de 2000
Homenagens: Medalha “Dezenove de Julho” e “Diploma de Gratidão do município de São José do Rio Preto (2014) pelos 50 anos de fotografia
Livro: “Jorge Maluf 60 anos - Uma trajetória de amor e dedicação pela arte da fotografia” (2024)
Automóvel Clube: Sócio há 49 anos, fotografa desde então eventos na instituição. Também foi fotógrafo oficial da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura (Arlec)
Casamentos: Registrou mais de 5.000 cerimônias em Rio Preto e em cidades da região
Material: Trabalha com máquinas da linha Canon