Ensino e causa indigenista
Jacó Cesar Piccoli é professor universitário, antropólogo, gestor e atuante na integração e proteção das populações indígenas

O professor Jacó Cesar Piccoli nasceu no Rio Grande do Sul, cresceu em Santa Catarina, estudou em São Paulo e Paraná, fez carreira no ensino superior no Acre, atua no campo indigenista e escolheu Rio Preto para morar.
Jacó viveu os primeiros quatro anos de vida em Serafina Corrêa (RS), na propriedade de sua numerosa família de origem italiana. É filho de agricultores que, por determinados períodos, fabricaram queijo e cuidaram de um hotel. Da infância, recorda-se dos passeios de bicicleta e de momentos ao lado dos irmãos.
Em 1957, os Piccoli se fixaram em Formosa do Sul (SC) por influência de Augusto, avô de Jacó, que possuía terras na localidade e atuava como corretor de terras.
Os pais de Jacó passaram a administrar uma serraria no povoado, com apenas dois núcleos populacionais. Essa dinâmica habitacional mudou com o passar dos anos.
Após concluir a instrução básica em escola rural, Jacó percebeu que deveria se mudar de cidade a fim de avançar na busca por conhecimento e formação. Se permanecesse, não teria opções além da agricultura e do comércio. Saiu de casa graças ao apoio familiar que recebeu e modificou a própria realidade a partir da Educação.
Em meados da década de 1960, Jacó e os irmãos iniciaram uma peregrinação pelo Brasil para estudar, realizando, em certa parte, o sonho do pai, Jandir, que tinha vontade de fazer um curso técnico e nunca conseguiu.
Jacó terminou a formação primária e fez o curso ginasial em Iomerê, distrito de Videira (SC), e no colégio da Granja Viana (SP). Concluiu o segundo grau em São Carlos (SP). Sempre integrou instituições religiosas (Ordem dos Camilianos e Congregação Passionista), onde também trabalhava para se manter. Em razão dos deslocamentos e dos internatos, encontrava a família somente nas férias letivas.
No momento de ingressar no ensino superior, Jacó prestou vestibular em Filosofia na PUC de Curitiba. Decidiu-se pela área por conta da relação com as congregações religiosas, que despertaram nele o interesse pelas Ciências Humanas.
Ao se formar, começou a lecionar em escolas particulares na Capital do Paraná. Mais ou menos nessa época, colaborou com a pastoral carcerária, prestando assistência inclusive a presos políticos. Interessou-se por questões sociais, políticas e indígenas.
Após intensificar os estudos em áreas das Ciências Humanas, o próximo passo consistiu em se engajar em movimentos populares, por meio de ONG’s, como a Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí), e instituições oficiais, focadas na orientação e incentivo ao protagonismo das populações originárias.
Depois de dois anos de ensino superior no Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Paraná, Jacó soube de vagas na Universidade Federal do Acre (UFAC), que é referência na Amazônia brasileira. Em meados de 1980, ele se candidatou a uma das vagas e, na instituição, alcançou o posto de professor titular. Planejou ficar quatro meses, mas não aconteceu dessa maneira.
Aulas e trabalho social

Como antropólogo, Jacó Cesar Piccoli atua na defesa dos direitos indígenas em questões de território, autodesenvolvimento e organização sociocultural. Nos campos cultural e político, fomenta a integração latino-americana, principalmente na macrorregião transfronteiriça Peru-Brasil-Bolívia. Neste contexto, encontrou importantes subsídios para seu trabalho.
Tornou-se professor da Universidade Federal do Acre, onde se aposentou em 2023. Além das funções de professor, Jacó desenvolveu funções administrativas que ajudaram a instituição a avançar, lecionou para a formação de professores e conviveu com lideranças indígenas, sindicalistas e ambientalistas. Apoiou movimentos sociais populares, como extensão universitária, que resguardam direitos e informam povos indígenas, seringueiros e cooperativas.
Na área pessoal, Jacó conheceu no Acre a professora Ana Maria Alves de Oliveira, bióloga, de Rio Preto, que fez graduação, mestrado e doutorado em Genética no Ibilce. Os dois se gostaram, passaram a viver juntos e tiveram três filhos: Gustavo Cauê (doutor em Biologia), Guilherme Cretã (mestre em Marketing Ambiental) e Augusto Nauê (arquiteto). O casal se revezou por muito tempo entre duas casas, em Rio Preto e Rio Branco. Hoje estão fixados na cidade paulista.
De forma eventual, Jacó viaja ao Acre a fim de colaborar como professor-voluntário do curso de Ciências Sociais e orientar monografias. Assessora o Ministério da Justiça no projeto que ajuda indígenas a não se envolverem com facções criminosas.
É referência na questão indígena.
perfil
Jacó Cesar Piccoli
Atuação: Professor universitário, antropólogo, gestor e indigenista
Nascimento: Serafina Corrêa (RS)
Data: 12/07/1953
Pais: Jandir Antônio Piccoli (in memoriam) e Helena Argentina Louveira Piccoli
Irmãos: Paulo, Luiz Carlos, Elza Maria, Terezinha de Fátima e Maria Dolores
Esposa: Ana Maria Alves de Oliveira (professora)
Filhos: Gustavo, Guilherme e Augusto
Graduação: Filosofia (1976)
Instituição: PUC Paraná – Curitiba
Mestrado: Letras e Linguística (1982)
Instituição: PUC Paraná
Doutorado: Ciências Sociais (1993)
Instituição: PUC São Paulo
Pós-doutorado: Filosofia e Ciências Humanas (2023)
Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina
Educação: Professor da Universidade Federal do Paraná (1978-1980)
UFAC: Na Universidade Federal do Acre, foi professor efetivo (1980-2023); chefe do Departamento de Filosofia e Ciências Sociais (1993-1997/2003-2007); pró-reitor de Planejamento (1998-2000); diretor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (2008-2015); fundador e coordenador do Centro de Arqueologia e Antropologia Indígena da Amazônia Ocidental; hoje é professor voluntário
Cargo: Foi diretor-presidente da Fundação de Desenvolvimento de Recursos Humanos da Cultura e do Desporto do Estado do Acre (1983-1987)
Pesquisa: Desenvolveu e realiza estudos, pesquisas e atividades de extensão nas áreas de antropologia indígena, política e ecológica, planejamento público, religiosidades andino amazônicas, etno-história, política indigenista e ambiental