Diário da Região
PERSONAGENS DA NOSSA HISTÓRIA

Ele iluminou Rio Preto

Eletricista José da Silva, o Zé Lamparina, trabalhou na instalação da parte elétrica de importantes prédios públicos

por Raul Marques
Publicado há 8 horasAtualizado há 8 horas
Zé Lamparina (Lézio Jr.)
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Zé Lamparina (Lézio Jr.)
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No primeiro dia de 1936, José da Silva nasceu na Vila Maceno. O filho único de José de Oliveira (carpinteiro) e de Ana Pereira (lavadeira e cozinheira) cresceu, brincou e se desenvolveu na Vila Diniz e nos bairros vizinhos. Antes de terminar a infância, no entanto, o menino perdeu o pai, que desapareceu ao servir o Exército. A partir de então, passou a morar com a mãe, a avó e os tios e recebeu uma criação rígida.

Na escola Cenobelino de Barros Serra, ganhou dos colegas o apelido de Zé Lamparina, porque comprava querosene na venda e abastecia o dispositivo de iluminação da família. Aos dez anos, começou a trabalhar para ajudar nas despesas domésticas. Assim que saía da aula, percorria as ruas da área central para vender banana e laranja.

Magro e alto, em dois anos ampliou os serviços. Descarregava caminhões de tijolo, atuava como servente de pedreiro, recolhia esterco nos terrenos e produzia adubo para uma horta. Com compromissos profissionais recorrentes, parou de estudar no quarto ano do ensino fundamental.

Em 1947, o fornecedor das frutas alugou um ponto comercial no Mercadão para Zé Lamparina. A experiência durou um ano e acabou ao ingressar no Cine Rio Preto e Cine São Paulo. Preparava as latas dos filmes exibidos nas cidades da região.

A história de Zé Lamparina mudou quando ele conheceu o engenheiro eletricista italiano José Galoro, respeitado em Rio Preto por sua atuação nas melhores construções civis da época.

Junto a eletricistas contratados por Galoro, Zé Lamparina aprendeu os segredos do ofício e valiosos exemplos de ética, competência e respeito.

Galoro morreu e Zé Lamparina, ainda menor de idade, manteve-se no setor e trabalhou, muitas vezes, em parceria com outros eletricistas, como Reinaldo Mangonaro, Valter Cosme Lima e Aparecido Alves da Silva.

Zé Lamparina adiou seus projetos pessoais ao ser convocado pelo Tiro de Guerra e enviado a Pirassununga para uma temporada de treinamentos, em uma turma formada por 20 rio-pretenses.

No local, Zé Lamparina teve seu talento reconhecido prontamente e terminou encaminhado para a engenharia. Fazia reparos na rede elétrica e instalou os primeiros aparelhos de TV que chegaram à cidade, no próprio quartel e em residências.

Seis meses depois, retornou a Rio Preto e iniciou uma vitoriosa carreira como eletricista.

Na área pessoal, Zé Lamparina viu Arcanja Mesquita da Silva em um baile. A amizade evoluiu para namoro e casamento, em 4 de abril de 1956. A união durou 65 anos e gerou seis filhos, oito netos e três bisnetos. A esposa faleceu em 2021.

Sem trocadilho, Zé Lamparina ilumina qualquer ambiente, não só na questão profissional, mas pela pessoa que é. Bom de prosa, simples nos gestos, respeitador, grato pelas oportunidades que recebeu e com ótima memória, conversa horas seguidas sobre os mais variados assuntos.

Vida e trabalho

Zé Lamparina trabalhou seis décadas como eletricista (Divulgação)
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Zé Lamparina trabalhou seis décadas como eletricista (Divulgação)

Graças ao conhecimento, fino trato, responsabilidade e profissionalismo, Zé Lamparina participou de importantes obras no setor privado e colaborou com algumas gestões da Prefeitura, a partir de meados da década de 1950.

Zé Lamparina participou da instalação da parte elétrica, sozinho ou em parceria com outros profissionais, de prédios públicos como Prefeitura, Câmara Municipal, Casa de Cultura, viadutos Jordão Reis e Governador Abreu Sodré, Teatro Municipal, Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, praças e escolas.

Também atuou na iluminação das avenidas Alberto Andaló, Bady Bassitt, Murchid Homsi e Faria Lima, além do Hospital de Base, Maternidade Nossa Senhora das Graças, Galeria Bassitt, aeroporto e o antigo estádio Mário Alves Mendonça, onde instalou as primeiras torres de energia.

Nas partidas do América, Zé Lamparina ficava de prontidão para auxiliar emissoras de rádio e de TV nas transmissões. Conheceu grandes nomes da crônica esportiva, como Fausto Silva, José Luiz Datena e Elia Júnior, que mais tarde se destacaram na televisão brasileira. Quase se tornou jogador profissional do clube, como lateral direito. Jogou quatro jogos e se aposentou após quebrar o tornozelo.

Seu último projeto de grande porte foi o Hospital Nossa Senhora da Paz. Depois, passou a atuar em residências e se aposentou em 2010. Aos 90 anos, está lúcido, dirige, se divide entre a casa em Rio Preto e o sítio em Bady Bassitt e frequenta toda quarta o baile do Asa Delta. Sente orgulho de tudo o que construiu. Ou melhor: iluminou!

perfil

José da Silva

Como é conhecido: Zé Lamparina

Atuação: Eletricista

Nascimento: Rio Preto

Data: 1/1/1936

Pais: José de Oliveira da Silva e Ana Pereira da Silva

Esposa: Arcanja Mesquita da Silva (in memoriam)

Filhos: Ana Maria, Celina Elisabeth, Manuel (in memoriam), José Fernando, Silvia Cristina e Paulo Sérgio

Netos: Sabrina, Lucas, Fernando, Bruna, Fernanda, Ana Paula, Eduardo e Maria Luiza

Bisnetos Arthur, Valentina e Mateus

Formação: Eletricista

Instituição: Instituto Universal Brasileiro

Trabalho: Participou da instalação da parte elétrica em residências e prédios públicos, como Prefeitura, Câmara Municipal, Casa de Cultura, Teatro Municipal, Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, avenidas Alberto Andaló, Bady Bassitt, Murchid Homsi e Faria Lima, aeroporto, antigo estádio do América, viadutos Jordão Reis e Governador Abreu Sodré, Hospital de Base, Maternidade Nossa Senhora das Graças, Hospital Nossa Senhora da Paz, Galeria Bassitt, escolas municipais e praças

Sociedade: Zé Lamparina e Aparecido Alves da Silva fundaram a empresa Alves e Silva, que funcionou entre 1971 e 2014