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Persona: máscaras da vida

Jung propôs a ideia de equilíbrio: a persona não deve ser eliminada, mas compreendida

por Carlos Fett
Publicado há 3 horasAtualizado há 3 horas
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"Só negará a necessidade da persona quem desconhecer a verdadeira natureza de seus semelhantes". Carl Jung

Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, explica o conceito de persona de forma simples: é a “máscara” social que usamos para nos apresentarmos ao mundo. Assim como um ator interpreta diferentes papéis no teatro, cada pessoa também assume comportamentos variados, dependendo da situação.

Seja no trabalho, na família, com amigos ou até nas redes sociais.

Por exemplo: alguém pode agir de maneira séria e responsável no ambiente profissional, mas ser leve, descontraído e até brincalhão em casa. Essas mudanças não significam falsidade; elas mostram a capacidade humana de adaptação. A persona, nesse sentido, funciona como uma ponte entre o indivíduo e a sociedade, permitindo convivência, aceitação e organização social.

É importante entender que a persona é necessária. Sem ela, seria difícil manter relações saudáveis. Imagine uma pessoa que diz absolutamente tudo o que pensa, sem considerar o contexto ou os sentimentos dos outros. Isso poderia gerar conflitos constantes. A persona ajuda justamente a regular esse comportamento, tornando a vida em grupo possível e mais harmoniosa.

Além disso, a persona também pode ter um papel de proteção. Em determinadas situações, mostramos apenas uma parte de quem somos para evitar julgamentos ou rejeições.

No entanto, Jung alerta para um risco importante: quando a pessoa passa a acreditar que é apenas aquilo que aparenta ser; ou seja, quando alguém se identifica completamente com sua máscara social. Estas "máscaras", sendo constantes, podem cobrar um preço emocional de quem as coloca e não tira. Pois o indivíduo passa a ignorar partes reais e importantes de si mesmo.

Porém, essas partes ignoradas não desaparecem. Elas ficam no inconsciente e podem se manifestar de outras formas, como ansiedade, irritação, sensação de vazio ou insatisfação constante.

Outro ponto importante é que manter uma persona rígida pode ser cansativo. Sustentar uma imagem o tempo todo exige esforço e pode gerar medo de errar ou de ser “descoberto”.

Por isso, Jung propôs a ideia de equilíbrio. A persona não deve ser eliminada, mas compreendida. Esse caminho de autoconhecimento foi chamado por Jung de "individuação". Trata-se de um processo no qual a pessoa passa a reconhecer, aceitar e integrar diferentes aspectos de si mesma, inclusive aqueles que não aparecem na sua “máscara social”. Isso permite uma vida mais autêntica e

menos limitada por expectativas externas.

Para nos comunicamos bem, é imprescindível levar as personas em consideração. Entender que buscar entender e ser entendido requer compreender se nós e o interlocutor estamos dispostos a ouvir, refletir e interagir. Ou se estamos apenas utilizando uma persona pra agradar.

Compreenda a persona, adapte o discurso e comunique-se bem.

Carlos Fett

Mentor em Comunicação e Consultor Empresarial e em Franchising [email protected].