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ARTIGO

Pequenas histórias de um ex-ferroviário – 4ª parte

Ao avançarmos, a grandeza do projeto se revelava. Lidávamos com patrimônios históricos

por Arlindo Lima Junior
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
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No episódio anterior, prometemos contar a vivência de colocar o Trem Caipira de volta aos trilhos. O veículo é um VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) de 60 lugares, fabricado por uma das maiores empresas do setor, fornecedora do Metrô de SP e da Rumo Logística.

Imagine o seu carro parado ao relento por oito longos anos. Foi assim que o Trem Caipira permaneceu. O desafio era imenso: revisar funilaria, pintura, mecânica, elétrica e tecnologia embarcada. Destaque especial para os rodeiros — conjuntos fundamentais de rodas de aço e eixos que suportam o peso e guiam o veículo.

Iniciamos transportando o veículo motriz para as oficinas da prefeitura. O tempo de inatividade no pátio da Rumo resultou em desgaste acentuado. Precisávamos atualizar equipamentos de segurança, como a cerca eletrônica, e adequar a tecnologia de bordo. Contamos com o apoio incondicional da Rumo Logística; sem essa parceria, o trem não voltaria a circular.

Simultaneamente, as estações de São José do Rio Preto e Engenheiro Schmitt precisavam de reformas para o embarque/desembarque dos passageiros do Trem Turístico. Na nave central da estação de Rio Preto, nossas equipes realizaram uma verdadeira restauração. Removeram, com espátulas e produtos específicos, três camadas de tinta que cobriam as cerâmicas originais desde o período pós-Fepasa. Ver o patrimônio ressurgir era gratificante.

O VLT foi adquirido em 2008 com recursos do Ministério do Turismo, tendo realizado sua viagem inaugural em dezembro daquele ano. Para a nova fase, mecânicos da prefeitura cuidaram de cada detalhe com carinho, superando a dificuldade de encontrar algumas peças específicas.

Ao avançarmos, a grandeza do projeto se revelava. Estávamos lidando com patrimônios históricos imponentes: a Estação de Rio Preto, inaugurada em 1941 em estilo Art Déco, e a de Engenheiro Schmitt, cuja inauguração data de 1º de outubro de 1912, construída pela Estrada de Ferro Araraquarense (EFA).

O Projeto Turístico Cultural Trem Caipira tinha a missão de trafegar por uma ferrovia centenária e utilizar estruturas que, apesar do tempo, permaneciam intactas pela qualidade de sua construção.

No próximo episódio, contarei como foi a viagem de reinauguração, e um pouco, é claro, de como se deu a formação do Distrito de Schmitt.

Até lá!

Arlindo Lima

Turismólogo e ex-coordenador do Projeto Trem Caipira.