ARTIGO

Pequenas histórias de um ex-ferroviário – 2ª parte

O prédio histórico há muito sem uso, sem vida, muito sujo, com restos de material de construção

por Arlindo Lima Junior
Publicado há 1 hora
Arlindo Lima (Divulgação)
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Arlindo Lima (Divulgação)
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Em 2017, precisávamos realizar tudo o que era necessário para que o Trem Caipira voltasse aos trilhos. Para isso, além de todas as providências, era também necessário que nós tivéssemos as duas Estações Ferroviárias, de São José do Rio Preto e de Schmitt, em condições de embarque e desembarque dos passageiros. As duas estações tinham papel fundamental no “Projeto Turístico Cultural Trem Caipira”, pois estávamos discorrendo acerca de duas edificações históricas, tombadas pelo CONDEPHACT.

A maior e mais imponente de todas, a Estação Ferroviária de São José do Rio Preto, inaugurada em 1912 pela EFA-Estrada de Ferro Araraquara, e que fora fundamental para o desenvolvimento econômico e urbano da região, escoando a produção de café e facilitando o transporte de passageiros. A atual edificação, em imponente estilo Art Decò, foi tombada pelo IPHAN, órgão responsável pela proteção e preservação do patrimônio cultural ferroviário brasileiro, incluindo estações, locomotivas e trilhos, com mais de 600 itens inscritos em sua lista de patrimônio.

Entretanto, qual não foi, portanto, nossa surpresa ao adentrarmos o prédio histórico há muito sem uso, sem vida, muito sujo, restos de material de construção, mau cheiro decorrente da presença corriqueira de moradores em situação de rua, com mesas e escrivaninhas da EFA e da FEPASA abandonadas na plataforma. Confesso que, no primeiro momento, achei que jamais conseguiríamos colocar um prédio daquele tamanho em condições de uso e devidamente restaurado. Estávamos, por conseguinte, diante de um cenário altamente desolador, de total abandono. Por outro lado, havíamos adentrado em uma das mais importantes estações ferroviárias do interior do Estado de São Paulo, considerada pelo IPHAN de fundamental importância histórica, cultural e artística. Era janeiro de 2017!

O prédio havia sofrido intervenções contrariando sua planta original, revestimentos das paredes no vão central da Estação haviam sido cobertos por tinta, ou seja, a composição férrea tinha que ficar pronta para voltar a via férrea, mas as estações ferroviárias, da mesma forma, necessitavam também estar em boas condições para a retomada de circulação dos passageiros.

Na incursão que realizávamos na Estação de Rio Preto, em um determinado dia, encontramos uma sala fechada, bloqueada com tapumes, e a pergunta, por conseguinte, era: “O que afinal estava por trás daqueles tapumes, por que aquele espaço havia sido fechado dessa forma?”

Abordaremos isso na 3ª parte.

Arlindo Lima
Turismólogo, ex-Coordenador de Turismo da SEMDEC, ex-Coordenador do Projeto Turístico Cultural Trem Caipira e ex-chefe de Trem.