Patrimônio hídrico
A gestão hídrica não pode ser fragmentada: rios e aquíferos não reconhecem limites administrativos, e por isso mesmo exigem planejamento regional

Neste 22 de março, quando o mundo celebra o Dia Mundial da Água, o noroeste paulista se vê diante de uma oportunidade para reflexão. Marcada pela presença de grandes reservatórios, pela força dos rios Tietê, Grande e Paraná, a região transformou a água em vetor de desenvolvimento econômico, turístico e urbano, e também em um ativo que exige gestão cada vez mais consciente e integrada.
Em Rio Preto, referência regional, o avanço no tratamento de água, com cobertura total, tem sido motivo de reconhecimento: já foi o primeiro e atualmente ocupa o honroso segundo lugar do País em saneamento básico, segundo o Instituto Trata Brasil. Essa conquista traz consigo uma responsabilidade proporcional ao seu papel como centro metropolitano. A cidade, polo de serviços e saúde, atrai diariamente milhares de pessoas, ampliando a pressão sobre os recursos hídricos.
Enquanto isso, a poucos quilômetros, Olímpia consolida-se como um dos principais destinos turísticos do país, impulsionada por complexos onde se encontra um dos maiores parques aquáticos do mundo. A abundância de infraestrutura e a capacidade de atrair visitantes o ano inteiro movimentam a economia e geram empregos, mas também impõem o desafio de conciliar alta demanda por água com práticas eficientes de uso, reúso e sustentabilidade.
Ainda na região, Ibirá reafirma sua vocação histórica ligada às águas minerais, reconhecidas por propriedades terapêuticas e pelo valor turístico. Esse patrimônio natural reforça a necessidade de proteção das fontes e de políticas que garantam sua perenidade.
A região dos grandes lagos, base do abastecimento hídrico e de importantes cadeias produtivas, acende outro sinal de alerta. O rio Tietê, símbolo dessa riqueza, tem sido castigado por fenômenos recentes, como a proliferação de algas em determinados períodos do ano. Mais do que um impacto visual, trata-se de um indício claro de desequilíbrio ambiental, frequentemente associado à carga de nutrientes, às condições climáticas e à pressão antrópica.
Neste contexto, o Dia Mundial da Água deve ir além da simbologia. É preciso fortalecer políticas públicas de desenvolvimento sustentável, investir em educação ambiental e ampliar a cooperação entre municípios. A gestão hídrica não pode ser fragmentada: rios e aquíferos não reconhecem limites administrativos, exigindo planejamento regional.
A água que move turbinas, abastece casas, sustenta o turismo e promove saúde é a mesma que depende de decisões tomadas hoje. No Noroeste paulista, onde esse recurso molda identidades e economias, preservar não é apenas um dever ambiental. É uma estratégia de futuro.