Comece hoje pagando a partir de R$5/mês no plano mensal
PAINEL DE IDEIAS

Toquinho – 80 Anos

Sua obra mais universal é “Aquarela” (1983), música composta originalmente em italiano, em parceria com Guido Moura, Maurizio Fabrizio e Vinicius de Moraes

por Toufic Anbar Neto
Publicado em 21/07/2026 às 20:52Atualizado em 21/07/2026 às 21:05
Toufic Anbar Neto (Toufic Anbar Neto)
Galeria
Toufic Anbar Neto (Toufic Anbar Neto)
Ouvir matéria

Toquinho é neto de imigrantes italianos. Nasceu e cresceu no bairro do Bom Retiro em São Paulo. Devido à baixa estatura quando criança, era chamado pela mãe de “toquinho de gente”, o que deu origem ao seu apelido. Sua sólida formação musical o transformou em cantor, arranjador, compositor e virtuoso violonista. Seu primeiro professor foi o violonista Paulinho Nogueira, que o levava para vários eventos de música para conhecer pessoas e fazer contatos. Sua carreira teve início com um show em São José do Rio Preto, no ano de 1964.

Seu primeiro LP foi lançado em 1966 e teve participações de Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Edu Lobo, Ruy Guerra, Oscar Castro Neves e Elis Regina. De sua extensa obra, destaca-se seu primeiro sucesso: “Que maravilha” (1969), composta em parceria com Jorge Benjor. Sua obra mais universal é “Aquarela” (1983), música composta originalmente em italiano, em parceria com Guido Moura, Maurizio Fabrizio e Vinicius de Moraes. A canção “Tarde em Itapoã” (1971) convenceu Vinicius de Moraes sobre seu talento. Ele pretendia oferecer para Dorival Caymmi musicá-la, mas gostou muito da versão feita por Toquinho.

Seu maior parceiro foi Vinicius de Moraes. O primeiro show foi em 1970. Toquinho não imaginava que a parceria duraria mais 13 anos, até a morte do poeta. A primeira composição que fizeram juntos foi “Como dizia o poeta” (1970). Foram mais de 1000 shows e 125 canções. Talvez a mais bonita seja “Onde anda você” (1974). A música “A Tonga da Mironga do Kabuletê” (1970) tem um nome incomum: trata-se de uma expressão ofensiva no idioma iorubá-nagô. Composta em parceria com Vinicius de Moraes, tem a participação do sambista Monsueto. Possui várias obras dedicadas ao público infantil.

Sua obra é vasta. Permito-me a parcialidade. Citarei o que mais gosto: “Samba de Orly” (1971), “Regra Três” (1970), “Escravo da Alegria” (1980), “Carta ao Tom 74”, “Como é Duro Trabalhar”, “Tudo na Mais Santa Paz”, “Samba da Volta”, “Samba pra Vinícius”, estas de 1974 e a trilha sonora da novela “O Bem-Amado” (1973). Mas, qualquer lista será injusta diante de seu rico repertório.

Aos 80 anos, Toquinho celebra 62 anos de carreira, mais de 90 discos, cerca de 500 composições e mais de 8.500 apresentações. Poucos artistas conseguiram unir técnica refinada, simplicidade, lirismo e comunicação popular com tamanha naturalidade. Seu violão continua soando elegante, preciso e inconfundível, lembrando que a boa música atravessa gerações sem perder a capacidade de emocionar. Enquanto houver alguém cantarolando “Aquarela” ou descobrindo suas canções pela primeira vez, Toquinho permanecerá contemporâneo. Alguns artistas fazem sucesso; outros ajudam a contar a história da música brasileira. Toquinho pertence, com pleno mérito, a este segundo grupo.

TOUFIC ANBAR NETO

Médico-cirurgião, diretor da Faceres, escritor e membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura (Arlec). Escreve quinzenalmente neste espaço às quartas-feiras.