Diário da Região
PAINEL DE IDEIAS

Ser corintiano é um exercício de esperança

Salve salve, D. Paulo Evaristo Arns, Pastor Corintiano, defensor das liberdades individuais, que se opôs à Ditadura e entendeu, como ninguém, a idiossincrasia do corintiano

por Merli Diniz
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
Merli Diniz (Merli Diniz)
Galeria
Merli Diniz (Merli Diniz)
Ouvir matéria

Dom Paulo Evaristo Arns soube, como ninguém, exprimir o que é ser corintiano. Em seu livro, Corintiano Graças a Deus, discorre sobre as cinquenta razões para ser corintiano, com a ressalva de que seriam milhões delas, se as multiplicássemos por toda a torcida mosqueteira. Cada um de nós, do bando de loucos, com certeza teríamos variadas e diferentes razões a apontar, porque se é corintiano. No entanto, no meu entendimento, singelamente ele traduziu, assim:

“Ser corintiano é um exercício de esperança” e que “o Corinthians é sempre motivo de lembrar”, diz ele:

“Que o povo merece respeito dos detentores do poder. Que o povo tem direitos que não podem ser esquecidos e dentre eles, o direito de lazer é da maior importância, por ser exemplo apresentado no começo da Bíblia - até Deus descansou”.

“Que o esporte garante ao povo entretenimento, quando assiste a ele, e saúde, quando o pratica”.

“Que o futebol, esporte coletivo, seja na maneira de praticá-lo, seja de torcer pelo clube preferido - na solidariedade, enfim -, é autêntica escola de vida”.

“Que, com a mesma força com que nós, corintianos, exigimos o empenho da diretoria, da administração do clube e a garra dos jogadores durante as partidas, saibamos exigir desvelo dos nossos governantes na condução do Brasil, pelo qual nos tornamos uma única e unida torcida”.

Em sua “Pastoral ao Povo Corintiano”, é notável a simbologia da força, fé, esperança e resiliência da nação corintiana com a do povo brasileiro, em tempos tão difíceis.

Como ele, deixo também minha singela homenagem ao Sport Club Corinthians Paulista e a todos os corintianos, de qualquer origem, quer seja étnica, de crença religiosa, posição social, de formas diferentes de pensamento, nordestinos, sulistas, nortistas, Centro-Oeste e do Sudeste. Tal tributo é também uma forma de dividir com vocês, minhas e nossas alegrias, às vezes angústias e até sofrimento. Quase sempre garantido.

Saúdo, também, Yuri Alberto. Foram eletrizantes sua disparada e seu reflexo ao dar um chapéu no goleiro e finalizar com o belíssimo gol de cabeça na Super Copa do Brasil, quando derrotamos “o favorito” Flamengo. Ao ouvir seu desabafo após sermos campeões, fiquei sensibilizada e um pouco constrangida ao mesmo tempo, por tê-lo criticado em várias ocasiões. Com sua maravilhosa performance, selamos a Copa do Rei!

Salve salve, D. Paulo Evaristo Arns, Pastor Corintiano, defensor das liberdades individuais, que opôs ferrenha oposição à ditadura imposta ao povo brasileiro, por vinte e um anos, e que entendeu, como ninguém, a idiossincrasia do corintiano e, por extensão, a do povo brasileiro!

Entretanto, com imenso pesar reconhecemos que o sonho dele ainda está distante. Mas, como corintianos, não desistiremos na luta da tão sonhada igualdade social!

Apesar e também por isso, salve salve o Corinthians!

Salve salve os corintianos!

Salve salve o povo brasileiro!

Salve salve a Democracia!

MERLI DINIZ

Professora, advogada, poeta e cronista. Vice coordenadora da Comissão de Direito e Literatura da 22ª Subseção da OAB Rio Preto. Escreve quinzenalmente neste espaço às quintas-feiras.