Rocky: um lutador
O sucesso não está em evitar as quedas, mas em levantar-se após cada golpe e seguir adiante, valorizando a jornada e o respeito próprio acima da vitória

Há 50 anos foi lançado o filme “Rocky”, que no Brasil recebeu o subtítulo “Um lutador”. Ele não foi o primeiro filme com a temática do “drama esportivo”, mas praticamente definiu, consolidou e popularizou o gênero. O autor do filme é o filho de imigrantes italianos Sylvester Gardenzio Stallone, um novaiorquino que fará 80 anos em julho.
Ele escreveu o roteiro em três dias. Recebeu propostas pelo roteiro de até 350 mil dólares. Ele as recusou pois condicionou a venda à sua participação no papel principal. Os estúdios não o aceitavam. Ele, um ex-morador de rua, era completamente desconhecido, só tinha feito pequenas participações em filmes inexpressivos. Os estúdios tinham a ideia de dar o papel principal para alguém do porte de Robert Redford, Burt Reynolds, Ryan O´Neal (o do filme “Love Story”) ou James Caan. Stallone insistiu, vendeu o roteiro por apenas 35 mil dólares e ficou com o papel. Foi a virada na carreira dele.
O enredo do filme é simples: o campeão mundial de boxe dos pesos-pesados Apollo Creed promove uma luta pelo título na Filadelfia, em comemoração do Bicentenário dos Estados Unidos. No entanto, cinco semanas antes do evento, seu oponente se machuca e outros adversários não estão disponíveis. Decide dar oportunidade a um lutador local, Rocky Balboa, que competia apenas em academias da cidade. Rocky que até então trabalhava como cobrador de um agiota, aceita o desafio. Começa a treinar com métodos pouco usuais tais como usar carcaças de carne de frigorífico como saco de pancadas, subir e descer as escadas do Museu de Arte. Apollo Creed, confiante demais, não dá muita atenção ao desafiante. Na luta, realizam um combate exaustivo de 15 assaltos, violento e sangrento. Apollo vence por pontos, mas Rocky ganha respeito e fama.
O filme traz inúmeras lições. O sucesso não está em evitar as quedas, mas em levantar-se após cada golpe e seguir adiante, valorizando a jornada e o respeito próprio acima da vitória. Mais do que talento, contam a autoconfiança, o treinamento duro, o sacrifício e a disciplina de continuar quando tudo parece perdido. Rocky aprende que a grande batalha não é apenas contra o adversário, mas contra os próprios limites. A luta só termina quando o gongo soa. Enquanto ele não toca, sempre existe a possibilidade de resistir, levantar-se e seguir em frente.
O filme teve um orçamento de um e retorno de 225 milhões de dólares. Foi indicado para nove Oscars e ganhou três (melhor filme, diretor e edição). É considerado pela crítica um dos 100 melhores filmes da história do cinema. Teve mais cinco sequências. Depois de 50 anos, seu legado consiste na mensagem de que você apanhará da vida e que a verdadeira vitória é levantar-se das quedas e seguir em frente. Nenhum guru de autoajuda faz melhor do que isso!
TOUFIC ANBAR NETO
Médico-cirurgião, diretor da Faceres, escritor e membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura (Arlec). Escreve quinzenalmente neste espaço às quartas-feiras