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PAINEL DE IDEIAS

O legado cultural de Luiz Carlos Barreto

Sempre humanista, nacionalista e inovador, nas décadas de 1960 e 1970 Luiz Carlos Barreto fez parte do movimento de vanguarda chamado cinema novo

por Durval de Noronha Goyos Jr.
Publicado em 11/08/2026 às 19:22Atualizado em 11/08/2026 às 19:24
Durval de Noronha Goyos Jr. (Durval de Noronha Goyos Jr.)
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Durval de Noronha Goyos Jr. (Durval de Noronha Goyos Jr.)
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A cultura brasileira deparou-se com a inestimável perda do grande cineasta cearense Luiz Carlos Barreto, em 22 de julho de 2026, na cidade do Rio de Janeiro. Conhecido por Barretão, desenvolveu uma extraordinária carreira no cinema como fotógrafo, escritor roteirista, diretor e produtor, tendo feito cerca de 50 filmes desde 1962 e recebido diversos prêmios nacionais e internacionais, em reconhecimento por sua atividade profissional. Sempre humanista, nacionalista e inovador, nas décadas de 1960 e 1970 fez parte do movimento de vanguarda chamado cinema novo, engajado na promoção da cultura nacional e também na luta contra a desigualdade social, a fome, a miséria, a desesperança e a injustiça, juntamente com Glauber Rocha, Cacá Diegues, Nelson Pereira dos Santos e Ruy Guerra. Segundo o escritor alemão Thomas Mann, o humanismo é o estado de alma que subtende justiça, liberdade, compreensão, tolerância, brandura e serenidade.

Em filmografia de mais de 50 obras desde 1962, os seus trabalhos mais expressivos foram ‘Vidas Secas’ (1963); ‘A Hora e a Vez de Augusto Matraga’ (1965); ‘Terra em Transe’ (1967), premiado no Festival Cannes; ‘Brasil Ano 2000’ (1969), premiado no Festival de Berlin; ‘Dona Flor e seus Dois Maridos’ (1976); ‘Memórias do Cárcere’ (1983); ‘O Quatrilho’ (1995), o qual recebeu a indicação para o prêmio Oscar de melhor filme internacional; e ‘O Que é isso Companheiro?’ (1997), que teve a mesma pré-seleção. Em 1997, Luiz Carlos Barreto recebeu a Ordem do Mérito Cultural do governo brasileiro, na presidência de Fernando Henrique Cardoso.

A formidável cineasta e poeta humanista brasileira, Maria Maia, quem foi conselheira da UBE durante minhas 2 gestões na presidência da entidade, deu-me com exclusividade a seguinte declaração: “Luiz Carlos Barreto nos deixou tristes neste 22 de julho. Ficamos sem sua luz, câmara, ação! Foi um mestre das imagens. Inventou a luz brasileira assinando as fotografias revolucionárias de ‘Vidas Secas’ e ‘Terra em Transe’. Produziu ou colaborou em mais de 100 filmes e se tornou o defensor perpétuo do cinema brasileiro! Eu utilizei as fotos que ele fez de JK no exílio para o filme ‘JK, um Cometa no Céu do Brasil’. Ademais, tive o prazer de entrevistá-lo para a TV Senado em conexão com os meus filmes sobre Glauber Rocha e aquele intitulado ‘3 Refeições’, que ganhou o prêmio de melhor produção cinematográfica do Boston Independent Awards de 2021. O Brasil comovido chora a sua morte”.

O governo federal brasileiro decretou luto oficial de 3 dias em homenagem à memória e ao legado de Luiz Carlos Barreto. A sua contribuição nacional em muito excedeu a notável obra artística, aqui referida resumidamente, ao patrocinar, em característica e expressiva arte cinematográfica, aspectos do perfil cultural característico do Brasil e da luta pela afirmação dos interesses fundamentais do povo brasileiro, sem ter militado em partido político. Neste sentido, o cívico Luiz Carlos Barreto, com sua sensibilidade, visão, perspicácia, técnica e valor estético, levou as meritórias questões dos direitos humanos, do conceito de pátria, da dignidade social e da soberania do País para as luzes da ribalta.

Luiz Carlos Barreto (20.05.1928 – 22.07.2026).

DURVAL DE NORONHA GOYOS JR.

Advogado (Brasil, Inglaterra e Portugal). Jurista, professor e árbitro internacional. Escreve quinzenalmente neste espaço às quartas-feiras