Dancing Queen – 50 anos
Chega jovem aos 50 anos. Basta tocar que muda o ambiente. É uma música atemporal, que resiste ao tempo, que evoca nostalgia e alegria

Em 2026, a música do grupo sueco Abba, “Dancing Queen”, completará 50 anos. Foi escrita em 1975, mas lançada apenas em 1976, em uma ocasião muito especial: um evento de gala em homenagem ao casamento do rei Carlos Gustavo da Suécia com a futura rainha Sílvia Renata. Depois das festividades do matrimônio, rapidamente alcançou o topo das paradas de sucesso na Europa e no resto do mundo. Foi a única canção do grupo que alcançou a primeira posição na Billboard Hot 100 nos Estados Unidos.
A música é muito peculiar e faz parte do álbum “Arrival”, o quarto lançado pelo grupo. É considerado também o mais importante do Abba pois conta com alguns de seus maiores sucessos. Além de “Dancing Queen”, tem “Money, Money, Money” e “Knowing me, knowing you”. A canção “Fernando” foi gravada junto com elas, mas lançada em separado, na forma de compacto. Em alguns países, faz parte do mesmo álbum.
A letra da canção é bem simples. Fala sobre uma jovem de 17 anos que gosta de dançar e tem uma noite divertida. Ela é a “rainha da dança”. Tem vários pretendentes e é popular entre os homens. Só isso! Lançada uma noite antes das bodas reais, também foi executada durante o baile do casamento. Existe uma crença desprovida de veracidade de que a música teria sido composta em homenagem à rainha Sílvia, versão desmentida pelo grupo. Um aparte: a rainha Sílvia Renata Sommerlath é nascida na Alemanha. Ela, apesar de ser filha de uma brasileira, ter morado durante a infância em São Paulo, ser fluente em português e fazer boas referências ao Brasil, não tem nacionalidade brasileira.
Tecnicamente, a canção provoca uma polêmica. “Dancing Queen” foi concebida como uma música dançante e animada, que seguia as novas tendências da época. Críticos classificam-na como sendo do pop, dance e disco embora não contenha vários elementos distintivos deste último gênero. Ela tem em comum o ritmo constante e propulsivo em compasso 4/4, com a percussão marcando cada tempo, o que a tornava dançante. Possuía um arranjo de cordas exuberantes, feito por sintetizador, harmonias vocais dinâmicas e uma letra fácil de cantar. Por outro lado, do gênero disco ela não possui elementos do funk e do soul, é um pouco mais lenta, com suas 100 batidas por minuto, foco na melodia vocal em vez de longos instrumentais e uma estrutura de canção mais tradicional e bem definida, em vez das canções longas do gênero disco, favoráveis à mixagem.
“Dancing Queen” foi considerada a perfeição do gênero pop. Vendeu milhões de discos no mundo todo. Tornou-se a canção assinatura do Abba, o conjunto extinto que mais vende até hoje. Chega jovem aos 50 anos. Basta tocar que muda o ambiente. É uma música atemporal, que resiste ao tempo, que evoca nostalgia e alegria. Tocou... vamos para a pista!
TOUFIC ANBAR NETO
Médico-cirurgião, diretor da Faceres, escritor e membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura (Arlec). Escreve quinzenalmente neste espaço às quartas-feiras